21.8.06

quero ser melquiades

ah, essa sucessão de horas
que anula o corpo, o átomo divisível,
dissimula a alma, e ilude os olhos,
e forja o visível no indizível.
esqueci a medicina e a filosofia,
aliás, minha memoria é pouca
não quero mais que estas horas-durante
o corpo certo que me restou.
como são inconsequentes
as pessoas atrás das portas
pintando dramas em tela a óleo
e os tempos vários,
as versões da mesma história
pouco importa quando a voz é rouca
que seja sórdida acompanhante
lasciva porquantos se violou.
amargo, amargo gosto que sonho
sonhado em má hora, que não vai-se
que ninguém fala, que ninguém ousa
que nem existe esboço pra isso
embora eu tente achar um justo ruido,
murmurio, sombra, poema
que seja, um verso um desenho
pra alambicar essas horas, malditas horas...

0 pessoas pararam por aqui:

Postar um comentário

Diga lá.