25.8.06

a vida é em prosa

Eu sei voar....
Aqui é alto, alto. Não senti dentro do avião, nunca. Nunca medo, vertigem, nunca olhar pra baixo. Qual, baixo, o céu é tudo um lado só, o céu rodeia um tanto amais que a terra. Gostava das nuvens, do vácuo. Não vazio, vácuo. Vazio é pra cá, as pessoas, as cidades, os destinos, os papéis. Aqui é alto, alto... Mas não tem problema, eu sei voar. Sei decolar, alto, pro meio do céu.
E nunca voltei de tudo. Cada vez ficava um pocado, eu tava mesmo começando a voltar de menos. De cá só dá pra suspeitar que o céu, e ele finge mesmo que nem pano, atrás completando as lacunas das geografias. Nem era alto, era lá, outro. Alto é aqui, pois enquanto tem medimento. Pensei que sou já outro também, perdi as contas, a formação... Voar, só, que ninguém deixa, que vê coisa nenhuma. Que nem a lua, lá tão-ela, tão tão.
Eu voava, ah voava... Só pra ficar fingindo também, pra largar mão de, só pra ficar de costas pro vazio. Minha garrafa, vazia. Eu voava pra ficar voando, só, sem nem coisa nem nada, sem ouvir mesmo, cada vez mais alto, vendo a lua escorrer lépida... mais alto, sem ver as pessoas me olhando tão passarado, que mais alto, alto, sinto o ar atravessar os dedos tão cortante... alto, mais, sem mais surdez, sem tropeços desavisados pelos fios dos postes, tão alto, tão... que do chão só tem a suspeita, calculada, esperada, longe, alto, rápido até que o chão.....

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