26.9.07

sou um monstro

então você veio, não devia, mas veio. eu não vi você entrar, mas o silêncio é diferente agora, o volume das suas mãos na cama, suas mãos no meu corpo, mas eu não sinto nada, sabe? não adianta me tocar, só o alcance a frieza, a dureza, o tempo que não passou nunca mais. não me toque, eu digo. nem me dê esses olhos, nem tente as lágrimas, nada, eu não volto. eu sou um monstro, uma criatura feérica, eu venho do início da noite, e quero o escuro. eu, tão mulher pequena. velha. digo que guardei todas as horas, que elas ficaram esgarçadas, eu vivi esperando, esperando, esperando.... nunca mais. eu me fiz água, sopro, palpitante, eu me fiz menos, e você volta, você fica, não chora, passou. . . . filho, passou. você desligou o gás, apagou as bocas do fogão? então vai, vai. eu ligo de noite, mas agora eu só quero embora, eu quero que você vá. vá, vão.

...ou isso é ser uma pessoa?

a clarice, a joana.

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