17.12.07

frugal

Morreu Beatrix, uma das lagostas. Aquela frágil. Não aguentou a troca de casca, parece. Tão logo despiu-se de seu esqueleto, existiu um pouco mole, um pouco pra dentro por uns dias, vindo a expirar numa manhã, sem mais. E agora são duas lagostas e dois paulistinhas, vivendo num aquário de incertos 20 litros. Muitas vezes, buscam-se agressivos, e passam longas horas imóveis olhando o espelho d'água. Recusam comida, movem-se à noite, na madrugada e quando ninguém pode ver. Mesmo com tão pouco, a vida insiste, banal, furiosamente.

***

Meu avô chama-se josé da silva. Nasceu mulato em minas, no meio da conta entre o primeiro e o décimo terceiro filho de meus bisavós. Cresceu no mato, estudou muito pouco, carpinou, veio pra cidade, virou operário, casou, teve filha, netos, aposentadoria, e tudo o mais. E hoje o mundo, as histórias, a coisas todas, para meu avô tudo faz tanto sentido que eu lamento pelos meus netos, desde já, de não poderem conhecê-lo. Lamento por mim também, pela precariedade da maneira de escrevê-lo, aqui.

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