28.1.08

memorial dos meus amores, sem grandes pretensões

Contando, agora, sei que meus amores não correspondidos são mais numerosos do que os correspondidos. Incluo na conta os amores de infância, de adolescência, cada paixonite banal e extasiante que me conduziu até sua sucessora, ao longo das semanas. Minha adolescência passou assim, em semanas e pequenos amores, loucuras breves e sutis que eu esquecia com as roupas que não serviam mais e as agendas velhas no armário. Mas esses amores não declarados, escondidos e não correspondidos tornaram-se memoráveis no exato momento em que eu me apaixonei de verdade. Todos eles tornaram-se então cúmplices desse último, áspero e inapreensível como o vento que carrega grãos de areia nas tardes quentes. Meu último amor não correspondido multiplicou a extensão da minha alma para fazê-la doer mais do que ela sabia antes. E doeu, e às vezes quase dói de novo.

Pensando, agora, eu sei que meus amores correspondidos foram bons em seu devido tempo e intensidade, e que também eles me conduziram aos amores seguintes, girando a roda sobre a qual minha sensibilidade insiste equilibrar-se. O mais recente amor é recíproco, para alegria minha e dele. Mas a paz não veio: a alma - este esboço de mim aqui dentro - cresce ainda, e gira. E eu sei, agora, que nenhum amor curou outro, nada nem ninguém perdeu-se no meio da história. Convivem todos, mais ou menos bem; parecem-se, osfuscam-se, confundem-se, cada um tão próprio e cheio de si. E meu último amor correspondido extendeu minha alma de jeitos e cores que eu ainda não sabia que existiam. Não sei se mudarão os sentimentos e as circuntâncias, tudo é possível. Neste instante, amamos, ele e eu.

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