31.3.08

das trincheiras discursivas

Há um ano, dei-me conta da impossibilidade de entendimento entre duas pessoas que divergem em pensamento, perspectiva, preferências. Na ocasião, presenciei uma discussão entre professores universitários que me chocou, tamanha era a trincheira que cada um havia contruído ao redor de si. Prestando mais atenção, percebi que eu mesma sou incapaz de levar uma conversa adiante por muito tempo quando meu interlocutor exprime idéias que considero agressivas ou prejudiciais a outros modos de vida: não posso, simplesmente não consigo tolerar racismo, homofobia, sexismo, sentimento de classe, individualismo e/ou consumismo exacerbados, indiferença em relaçãoà dor alheia, alienação e reificação voluntária.
Não foi com orgulho que percebi que esta minha incapacidade tem menos a ver com o quanto me irritam e frustam tais idéias e práticas do que com o desânimo que me toma. Devo dizer que eu simplesmente desisto de qualquer debate que confronte questões fundamentais (para mim, claro) de ética e humanidade - perdendo, muito possívelmente, a chance de exercitar minha capacidade argumentativa e minha tolerância. Sei que não considero desejável tentar mudar a opinião de alguém, como se fosse uma conversão. Mais do que isso, não considero tal mudança possível. Já fui a favor de pena de morte, contra o aborto, já fui espírita. O que me fez mudar radicalmente de discursos (contra o primeiro, a favor do segundo e atéia convicta) nesses e em outros casos foram experiências que tive - vivendo, lembrando, elaborando, lendo, pensando, ouvindo, sentindo... Ninguém, nunca, teve um papel mais decisivo na constituição das minhas opinões do que tiveram certos filósofos, escritores, poetas, certos filmes, certas dores. De onde minha intropescção na hora de debater coisas como as que citei. Creio profundamente que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas se livrassem mesmo dos preconceitos e crueldades que permeiam as relações humanas e os modos de vida, mas... quem é que ousaria dizer que dá?

Parece pertinente dizer que estes pensamentos voltaram com a mais recente onda de baixaria e ignomínia a que Luis Nassif foi submetido. Lendo o bloguista da Veja, eu me convenço de que não há limites nesta torre de Babel. Sendo assim, minha contribuição ao GoogleBomb criado para o caso:

Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja Veja

2 pessoas pararam por aqui:

Thiérri disse...

Só pra dar um oi: oi!

Thiérri disse...

aGORA APARECEU!!!

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