16.5.08

pessoal e intransferível


Estou num dilema. Não era minha intenção, ao criar este blog, falar da minha vida pessoal. Eu queria escrever um pouco sobre tudo e nada, postar umas imagines bonitas, uma ou outra poesia minha e de outrem, e assim, ir levando. Escolhi o nome e o visual e, de fato, fui levando. Mas estou tomando gosto pela coisa, e muita vez já me vi procurando material que achasse interessante pra distorcer, comentar, postar, inverter, e tal.

Registrei aqui, de modo sucinto ou indireto, o suicídio de um grande amigo, uma gravidez perdida, o coma da minha avó e sua morte; falei de alguns amores. Coisas que doeram muito no devido momento, que ainda doem - mas agora doem diferente. Posso dizer inclusive que consegui me resolver em relação a elas, que esses sentimentos estão mais ou menos bem organizados na minha cabeça - ou onde quer que seja, aqui dentro.

Mas hoje me deu vontade de escrever com todas as letras sobre algo que tem me aborrecido bastante (para dizer o mínimo) ultimamente: minha relação com minha irmã, às vezes, é assustadora e desastrosa. Intrigante que, entre todas as coisas mais pessoais sobre as quais eu poderia falar, eu queira esta. Por que não meu trabalho, minha pesquisa, meus colegas de apartamento, as milhares de cenas divertidas que já me aconteceram ? Por que não qualquer uma das outras pessoas da minha família, com quem o convívio é mais fácil ? Eu já ensaiei esta resposta: acontece que não consigo um espaço de interlocução com ela. Sou capaz de discutir e emburrar com muita gente, mas com ela a relação parece funcionar contanto que a gente limite o acesso de uma na vida da outra. E isso me frustra, porque eu adoraria participar mais da vida dela, e adoraria que ela fizesse mais parte da minha. Porém, há muitos meses isso não funciona entre nós. E confesso meu cansaço e desânimo com tantas encrencas que se acumulam, sem se resolverem de verdade. Intrigante que, entre todas as possibilidades, eu ache que este espaço seja o mais adequado para eu falar a respeito. Ela não lê este blog, embora eu tenha pedido muitas vezes para ela ler. Não quero - pelo menos eu acho que não - esconder dela o quanto tudo isso me chateia. E que eu gosto muito dela, mesmo sendo tão crítica quanto a certas posturas e atitudes que ela tem. Também não quero esconder dela que eu tenho vontade de aceitar essas posturas e comportamentos diferentes, mas a cada vez que ela demonstra debochar disto, essa minha vontade se torna seu oposto máximo e fulminante : minha vontade de julgá-la. E essa é a pior parte, sem sombra de dúvidas.
Não tenho mais o sentimento besta de obrigação de amor para com as pessoas que, porventura, nasceram na mesma família que eu. Meu amor eu dou às pessoas que eu quero, com as quais escolho estar. E creio que eu deva tentar encontrar um meio termo mais equilibrado pra ela na minha própria vida, nem tão próxima que provoque faíscas, nem tão longe que dê saudade demais. Difícil, difícil...

1 pessoas pararam por aqui:

Thiérri disse...

em briga de família...

Bom... se eu tivesse uma irmã igual a Dani, eu já teria disparado um tiro, não sei se nela ou em mim mesmo (hauhauhuha)
ná dúvida... não palpitarei pois o tiro pode sobrar pra mim!!!
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A verdade é que de um jeito ou de outro... vocêsa estão ligadas.

No seu caso, eu sentaria com ela e criaria "regras de convivência"... algo simples para ser cumprida pelas duas...
sei lá... um código que diga que o assunto morreu ou que uma não quer que a outra comente sobre ele.

Mesmo que ela tenha jogado a filha do namorado pela janela e dado de cara com você... Você tem milhões de esporros para dar nela mas se ela usar o código (uma palavra ou frase), respeitosamente o outro lado aceita a condição...

Pra mim ficou claro... e para você???

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