27.6.08

Pájaros prohibidos


1976, en una cárcel del Uruguay.

Los presos políticos uruguayos no pueden hablar sin permiso, silvar, sonreir, cantar, caminar rápido ni saludar a otro preso. Tampoco pueden dibujar ni recibir dibujos de mujeres embarazadas, parejas, mariposas, estrellas ni pájaros.
Didasko Pérez, maestro de escuela, torturado y preso por tener “ideas ideológicas”, recibe un domingo la visita de su hija Milay, de cinco años. La hija le trae un dibujo de pájaros. Los censores se lo rompen a la entrada de la cárcel.
Al domingo siguiente, Milay le trae un dibujo de árboles. Los árboles no están prohibidos, y el dibujo pasa. Didasko le elogía la obra y le pregunta por los circulitos de colores que aparecen en las copas de los árboles, muchos pequeños círculos entre las ramas:

-¿Son naranjas? ¿Qué frutas son?
La niña le hace callar:
-Ssshhhh.
Y en secreto le explica:
-Bobo. ¿No ves que son ojos? Los ojos de los pájaros que te traje a escondidas.


Eduardo Galeano

Eu ainda estava pensando e formulando mentalmente o próximo post (sobre qualquer outra coisa que não me lembra bem), quando esse texto simplesmente apareceu, por intermédio de uma pessoa muito querida e interessante. E ele tomou o lugar de quase tudo, na minha cabeça, agora. Creio que vai ficar por horas, dias. Sugiro repetidas leituras deste texto, no original mesmo. Em voz alta, e depois em silêncio. Em horários diferentes, sob diferentes estados de espírito.
A tradução está na caixa de comentários.

5 pessoas pararam por aqui:

aline disse...

Pássaros Proibidos
"Nos tempos da ditadura militar, os presos políticos uruguaios não podiam falar sem licença, assoviar, sorrir, cantar, caminhar rápido nem cumprimentar outro preso. Tampouco podiam desenhar nem receber desenhos de mulheres grávidas, casais, borboletas, estrelas ou pássaros. Didaskó Pérez, professor, torturado e preso por ter idéias ideológicas, recebe num domingo a visita de sua filha Milay, de cinco anos. a filha traz para ele um desenho de pássaros. Os censores o rasgam na entrada da cadeia. No domingo seguinte, Milay traz para o pai um desenho de árvores. As árvores não estão proibidas e o desenho passa. Didaskó elogia a obra e pergunta à filha o que são os pequenos círculos coloridos que aparecem nas copas das árvores, muitos pequenos círculos entre a ramagem: - São laranjas? Que frutas são? A menina o faz calar: -Shhhh. E em tom de segredo explica: - Bobo. Não está vendo que são olhos? Os olhos dos pássaros que eu trouxe escondidos para você".

lu disse...

que lindo
é de um livro?

aline disse...

sim... um livrinho de micro contos chamado "mujer"... fala muito da perspectiva feminina na américa latina...

acho q vc vai gostar, sabia?

lu disse...

ah, eu também estou achando ;)

Silvia disse...

Genial o texto!

Bjs,
Silvia

P.S: Tô baixando "O ódio"! Lembrei de vc e do título do seu blog! =)
Aquela vez na sua casa eu só vi o comecinho... Saudades!

Postar um comentário

Diga lá.