26.8.08

sem lenço, sem documento, eu vou. por que não?

Então, estou no Rio. O que significa que alguma coisa deu certo. Sabem o que foi? O jeitinho brasileiro em ação. No sábado, eu me adiantei, perguntei se podia viajar naquelas condições (sem documento, com o b.o., e tal). Que tolice, isso não se pergunta. Porque é a chance de ouro dos burocratas. Eu imagino aqueles seres esperando, atrás do balcão, pela pergunta: boa tarde, será que tem problema se...? Sim, tem. Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado. Tudo isso, claro, se quiser voar. Ontem eu entendi, não é pessoal. No fundo, é nossa homenagem ao Raul.

Vamos à solução: cheguei no balcão, a mocinha pediu os documentos, entreguei o b.o. com cara de personagem grega no fim da tragédia. Só tenho isso. Ela olhou, e antes que olhasse muito, contei como foi. Aumentei, sofri. Ela começou a contar as vezes que foi assaltada. Que horror, onde nós vamos parar? Pois é, pois é. Passei do drama à piada, tudo com o Paulo se esforçando pra não rir da minha cara. E ela me deixou passar, assim, compadecida. Esqueceu das normas, das interdições, do sinto muito, mas. Sorriu, apenas, e desejou mais sorte pra mim.

E eu termino a saga com a sabedoria de uma frase que eu li, sei lá onde nessa blogosfera: kamikaze bom é kamikaze morto. Um viva à ineficiência.



obs. Minha amiga Luisa tem histórias ótimas sobre burladas na burocracia. Quem sabe ela se anima e põe algumas na caixa de comments!

4 pessoas pararam por aqui:

lu disse...

ai, e eu que lendo o seu post li OB invés de BO? faz toda a diferença. que bom que deu certo e vc não pegou uma mulher de mal com a vida!

aline disse...

hahahhahahahahahahahhahahahahahahhaha
é maior difícil pra mim escrever b.o., assim, direitinho.


acho que não há proibição pra viajar sem ob.


ainda. =)

Isabel disse...

Nossa, meu caso é parecido, só que acabou mal. Ano passado meu filho (18 anos) perdeu o RG em Brasília. Ou foi furtado. O fato é que ficou sem o RG. Como a Polícia do DF aceita fazer o BO pela internet se for extravio, assim ele fez, pois a fila estava grande. Veio a BH de ônibus para tirar outro sem problema. Chegou na sexta de manhã, fez o pedido, mas só seria entregue na outra sexta. Como tinha aula em Brasília na segunda de manhã, ia voltar de avião no domingo. Foi barrado no balcão da GOL e encaminhado à sala da ANAC. Lá, olharam o BO e disseram que não podia, pois só tem permissão para viajar sem documento o menor de idade autorizado pelos pais. Ou o brasileiro maior com BO, desde que o boletim relate ocorrência de furto (sem violência) ou roubo (com violência ou ameaça). De mero extravio não serve. Contudo, se for estrangeiro, serve BO de extravio. Olha o requinte da burocracia. O rapaz, maior, na presença dos pais, com BO de extravio do RG e requerimento da segunda-via, com data de entrega futura, não pôde embarcar por ser brasileiro. Os caras da ANAC perceberam um pouco a babaquice e falaram pra ele ir pro balcão, se a GOL deixasse, problema da GOL. Lógico que ele foi. E passou. Porém, quando ele estava na sala do embarque, foi retirado da fila pelos mesmos caras da ANAC e perdeu o vôo. Escrevi protestando para a Ouvidoria da ANAC. Depois de muito tempo, quando tornei a escrever e a indignação já tinha virado desalento, responderam que iam rever as normas. Pelo jeito, continua a mesma insensatez de sempre. Brasil, seu profeta é Kafka.

aline disse...

Isabel, não consegui dar nem um sorrisinho amarelo com sua história. Vc é minha amiga, irmã de fé e camarada. Seu filho tbm. Esse quiprocó da Gol-Anac-Polícia me deixou tão nervosa, que eu tive um chilique. Foi ridículo.
Enfim, aprendi a argumentar. Conheço as normas do Procon quase de cor. Pedir o nome do funcionário, chamar o supervisor e mencionar a imprensa ajuda. Nao resolve, e daqui a pouco as pessoas não vão mais ter receio dessas coisa tbm, não.
Mas até lá, agente vai levando... ai, ai.

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