8.9.08

mi casa, su casa


Está chegando o dia em que eu não vou mais morar com a minha família. Na teoria, isso já acontece desde os 17, quando eu fui estudar em São Paulo e me instalei numa moradia estudantil. Passei a me sustentar integralmente, e tudo isso fez com que eu me sentisse muito responsável, dona do próprio nariz, e tal. Muito bem. Mas no fundo nem era tão assim. Porque moradia estudantil, a gente sempre sabe, é uma coisa passageira. Nem era uma casa, casa. Eram uns quartos, com sala e sem cozinha (isso faz toda a diferença. cozinha é o lugar de socialização), e uma rotatividade de cohabitantes. Ao longo de 7 anos, morei com 19 pessoas diferentes, de tudo que é tipo. Foi maior importante, mesmo. Fez aumentar minha paciência, e depois fez diminuir de vez. Tomei porres, fiz bagunça, faxina, sexo, promessa e até reforma. Mas a casa dos pais nem era tão longe, e no fundo eu ainda sentia que lá era a minha casa, casa.
Agora. Está chegando o dia em que eu não vou mais morar com a minha família. Quer dizer, vou pra mais longe. O Rio de Janeiro nem é tão longe, mas é mais do que 1 hora de buzão. A viagem custa mais do que 25 mangos. Nem é só isso. É que há uma distância simbólica enorme. Porque fez sentido morar no crusp durante 7 anos, e já não faz mais. Porque agora existe outra casa, casa, e com o Paulo nela. É dele também, a casa. A gente quer isso há um tempão, e só agora vai dar certo, do jeito que a gente queria. Meus livros, filmes e travesseiro vão pra lá, de uma vez. A caixa de fotos e cartas. Minhas coisas, na minha casa. Eu fico repetindo porque continua a soar estranho. E pela primeira vez, ainda este ano, eu vou visitar a casa dos meus pais.

5 pessoas pararam por aqui:

Thiérri disse...

Vai casar na Igreja?

aline disse...

adivinha... ;)

Camila disse...

Lindo, lindo post. Estou muito feliz por vocês - este post foi a melhor notícia dos últimos tempos. Beijos, parabéns e muita felicidade!

luisa disse...

Pois é.. entendo perfeitamente isso de haver vivido com tanta gente (eu com 8 em 3 anos). Eu era super-mega intransigente e isso foi mudando, mas nem foi tão pouco a pouco. Fou quase num só golpe, justamente quando a gente se dá conta que dividir a casa é dividir um pedacinho da nossa vida e o espaço é tão seu quanto dele ou dela. E que, para não ser invadido na sua privacidade (sic!), a melhor maneira é não invadir a dos demais.
Depois de tantas coisas, boas e ruins que passei por culpa da tal necessidade de convivência, por fim me mudei com meu namorado. E, depois de alguns meses, quando resolvemos arrumar a estante dos livros e cds misturamos as nossas coisas, foi quando definitivamente passei a morar ali. Não é só o travesseiro, a caixa de cartas e e as nossas coisas tão nossas numa casa diferente. É a sensação do "até que enfim, já não divido a casa", mas sou parte dela.

aline disse...

camila, obrigada!

luisa, eu achei lindo o que vc escreveu. e muito justo.

um bjo pras duas =)

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