12.9.08

Post eleitoral gratuito: o Porquinho, dos três Porquinhos

Era o último tijolo, o Porquinho o colocou, arranjou o cimento e enxugou a testa. Olhou pra parede, por poucos segundos. Virou-se para a platéia em silêncio, sorriu e cortou a fita vermelha. Aplausos, cascos, assovios. A casa estava inaugurada.

O microfone e o palanque foram arrumados por seus acessores, os outros dois porquinhos, seus irmãos. O Porquinho começou o discurso, assim:

- Cidadãos e cidadãs deste Bosque! É com muita alegria e honra e orgulho e felicidade que eu inauguro esta casa, a primeira de muitas da minha gestão! Porque este é meu compromisso: moradia para todos! Vocês me conhecem, a mim e minha família, sabem que somos grandes projetores e empreendedores! Conhecem nossos projetos de habitação: conseguimos fazer uma casa a partir de qualquer coisa. Dêem-nos tijolos! Dêem-nos madeira! Dêem-nos até mesmo palha, senhoras e senhores, nós contruiremos vossas moradias. Não há uma família aqui no Bosque que não more num de nossos projetos habitacionais! - neste momento o João-de-Barro piou alguma coisa, mas o Porquinho fingiu que não ouviu. - Meus adversários têm espalhado calúnias e falácias, meus queridos eleitores, mas vocês sabem a verdade! Que nós nunca faríamos nada contra o patrimônio público! Viva o povo, a fauna e a flora! - urros, cascos, aplausos - Quero lançar um desafio aos outros candidatos: que mostrem o que eles construíram até hoje! Porque nós temos um histórico, aqui no Bosque. Nós conhecemos e participamos da época de ouro deste nosso lugar. Minha família tem tradição em gerenciamento! Vocês ouviram falar de meus primos ingleses na Fazenda dos Bichos? Foram exímios administradores! Porque assim é que nós somos! Doamos nosso corpo, alma e coração à população! Na minha gestão, vamos fazer estradas e trilhas! Este é meu compromisso: transporte! Bater a grama até que vire um caminho de terra. Colocar pedrinhas lixadas por cima! - os cavalos e burros gostaram disso, mas os macacos não pareciam satisfeitos - E vou reorganizar o sistema de cipós, assim como os galhos de árvores grandes e médias. Todos terão acesso ao centro do Bosque! Vão poder caçar e colher alimentos à vontade! Nós temos frutos maravilhosos, de árvores que eu mesmo plantei, há muitas décadas! E presas deliciosas, eu as fiz imigrarem de longe, pra garantir que os hábeis predadores da floresta tenham o que comer sem importunar os pacatos herbívoros conterrâneos! É nossa chance - e piscou para seus irmãos bem rechonchudos - meu povo, é nossa chance!

Urros, cascos, rabadas, assovios, palmas, bicadas...


Estamos em plena campanha eleitoral. O departamento de política e viadutos do Jusqu'ici tout va bien, que está na fornalha do maquinista do trem do progresso, abre espaço para os candidatos a prefeito do Bosque.
Não é provável que este blog seja cassado pelo TSE, mas nunca se sabe na verdade.

2 pessoas pararam por aqui:

Theo Weissmann disse...

Bom, há tempos não acompanho muito sobre política e afins.
Nenhuma mente brilhante é capaz de compreender a própria política, mas se for malandro e diplomado em economia, ah.. aí as coisas se casam. Eu não sou assim, mas ao contrário: um alienado.

E aí, votos democráticos obrigatórios brancos e nulos denovo?

Thiérri disse...

até agora, eu voto no Lobo!!!

Postar um comentário

Diga lá.