13.11.08

vivendo com um biólogo

Olha, vou te contar. Não é fácil namorar um biólogo. Sobretudo se ele for filho de médicos. Ainda mais se seu irmão for químico e corroborar com as teses malucas dele. Pois aí várias coisas do cotidiano ficam inviáveis. Por exemplo, Paulo tem a mania execrável de ler os rótulos dos produtos que vai comprar. E então eles se tornam produtos que ele iria comprar.
Teve uma vez que eu queria um creme de castanha pras mãos. Porque giz de lousa resseca, racha, machuca. Aí, quando eu ia encomendar meu precioso creminho, ele vem com essa de que tinha uma substância neurotóxica na fórmula. Claro, eu desacreditei. Ha, ha. Neurotóxica? Num creme pras mãos? Fala sério. Mas veio meu irmão e pimba! confirmou a parada. Aquele intrometido. Eu disse que e daí, deve ser um cabelímetro da substância neurotóxica, o creme é pras mãos e encomenda esse creme que eu quero. Mas então vem a ameaça e a chantagem. Não faz isso, porque a substância neurotóxica acumula no seu corpo e vai causando dano cerebral etc etc. Desisti, né?
Outro dia teve o miojo. Que já não é aquela maravilha em quesitos sabor e saúde. Um subalimento, reconhecidamente nojentinho. Mas ganha em praticidade, especialmente nos momentos de "coma-se qualquer porcaria mesmo". Aí os dois resolvem ler o tal saquinho de tempero. Tem silício. Que, em alguma era remota do processo industrial, era areia. Veja bem, o saquinho de tempero tem tanto de areia quanto nós temos daquele peixe com patas se arrastando pra fora da sopa de proteinas da era xyz-zóica. Mas minha equipe de pesquisa particular determinou que miojo, só se for sem o saquinho de temperos.
Agora nós estamos numa casa que está repleta de pernilongos. Que, convenhamos, não é um animal que mereça lá muita consideração. Como eu sou alérgica a inseticida, a solução é passar repelente, certo? Errado. Repelente é veneno. Intoxica as pessoas, porque as substâncias terroristas atravessam a pele e bla bla bla. Eu prefiro morrer mais cedo do que me coçar até os 104 anos.

Eu não duvido de nada do que os dois dizem. Deve ser verdade, os produtos todos têm coisas que nos estragam. Mas a fome, o cansaço, o tempo e a natureza também estragam a gente. Conclusão: tem coisas que é melhor ignorar.

6 pessoas pararam por aqui:

lola aronovich disse...

Oi Aline, comecei a ler seu blog faz uma semana, e é a primeira vez que comento. Muito legal, viu? Continue escrevendo.
É, pensando bem, TUDO deve fazer mal. Mas nosso conforto é mais importante que nossa saúde em milhares de ocasiões. E a gente já tem uma expectativa de vida maior que os nossos antepassados mesmo. Avisa pro seu namorado biológo que vc provavelmente vai viver mais que ele, só por ser mulher - com ou sem repelente.
Abração!

aline disse...

oi lola!!!!

Obrigada...

Achei ótima sua observação. Vou lembra-lo sim que ele tem mais riscos de morrer cedo do que eu - se bem que ele sabe, pais médicos e tal. Mas humor negro nunca é demais!
Bem, entre, fique à vontade. Adorei a visita!

abraço!

Flávia disse...

meu deve ser uma experiencia super bem embasada cientificamente. rs

aline disse...

ih, dadatida, vc nem imagina.

ou imagina... :)

bjos

Thiérri disse...

Avisa o Lima que se ele fosse um exemplo de alimentação e saúde... não estaria com gastrite e o Paulo não teria um ataque de tanto tomar Dolly.

aline disse...

Vou reencaminhar sua resposta, Thi. Está perfeita. Se bem que. Suspeito que eles façam isso tanto por sadismo quanto por masoquismo, entende? :)

Postar um comentário

Diga lá.