15.12.08

do espírito natalino


Estão chegando as festas de fim de ano, então eu vou ficando aborrecida com certas práticas nossas. A tv, eu já quase não ligo. Queria que desaparecessem as coelhinhas da playboy refantasiadas em mamães-noel. E os sons de sinos em dois a cada três comerciais, eu queria que os sinos rachassem todos. Acontece que eu desprezo o Natal. Não faz sentido mesmo pra mim, não tem nem um pinguinho de significado. No máximo, a comida que minha mãe e avó fazem é deliciosa, mas a ceia começa tão tarde que nem dá pra aproveitar muito. A gente se mata de comer à meia noite e trinta, e à uma e meia da manhã já está todo mundo grogue de sono e indigestão. E eu nem me animo com presentes, pois como meu aniversário é só um mês antes do Natal, quem queria me dar presentes bons, já deu. Só resta a mim gastar um pouco a mais e presentear meus queridos. Mas é uma convenção esvaziada. Nos aniversários, eu realmente me esforço pra dar alguma coisa que tenha um significado pra quem ganha. Meus presentes vem com explicação, é uma coisa que eu gosto de fazer. Mas não no Natal. Presenteio os membros da família e olhe lá; e é mais porque o Natal significa alguma coisa pra eles. Que são mais religiosos, etc.
Eu acho o Natal uma festa triste, de modo geral. O tal do espírito natalino* me parece um disfarce da boa e velha melancolia, da saudade dos tempos idos, que aflora em todo mundo ao mesmo tempo, com a primeira liquidação em meados de novembro. Não gosto mesmo da compulsão por compras. Na nossa cultura, o Natal e os dias-de-alguém-que-você-ama são os maiores propulsores de compra. Esse papo de humanidade, amor e aproximação é só um recheio, um pretexto. Como a gente já está meio cansado do ano inteiro que passou, todo mundo faz uma espécie de trégua coletiva pra ninguém mais ficar chateado ou irritado. Nem acho hipocrisia, não (ou pelo menos, não só isso), acho que é receio mesmo. De se sentir miserable enquanto está todo mundo sorrindo mais do que o normal. Comprando mais do que o normal. Dando mais sinais exteriores de felicidade do que o normal.

Os melhores natais sempre são os da infância. Os meus, de pequena, eram incríveis. Meus bisavós ainda eram vivos, e sempre tinha um parente pra se vestir de Papai Noel e assombrar as crianças com sua chegada. Uma vez, aliás, meu avô se fantasiou. E ele é negro. Ficamos todos desconfiadíssimos. Acho que essa foi pra mim uma das pistas derradeiras de que o velhinho não existia (o Noel, não meu avô). Mas eu ainda sustentei a farsa por um tempão, pra não estragar a graça dos caçulas. Minha mãe, por sua vez, fala das festas natalinas de sua infância com mais saudade do que os da minha infância. Não sei se é assim com todo mundo, mas acho que é assim pra bastante gente. E eu não sei como as crianças hoje vivem o Natal. Não tenho contato com nenhuma. Eu fico imaginando se elas descobrem mais cedo, com a falta de mistério que envolve todas as coisas. Ou, se pelo contrário, elas acreditam mais no gorducho, neste mundo de Harry Potter e afins. Não sei. Espero que pelo menos as crianças ainda se divirtam com o Natal.

*Aliás, espírito pra mim é sinônimo de assombração!


Bom, já deu. Ho ho ho. Digo, boa noite, gente.

3 pessoas pararam por aqui:

Daniela disse...

Eu adoro Natal, mas gosto mesmo é de Reveillon.

Natal nao pelas coelhinhas-da-playboy-mamaes-Noel, nem pela comelança, nem pelos presentes. Aliás ODEIO amigo secreto e TODO mundo resolve fazer entao HAJA dinheiro pra tanto presente.

Eu gosto é do sentido de reuniao familiar, a oraçao na mesa (na minha familia podia nao se fazer uma oracao nunca, mas semana santa e natal sim), dessa coisas de "família no fundo realmente importa"

E Reveillon pq eu acho mesmo que a gente nao aguentaria tempo corrido, sem divisao de anos. E isso de "acabou, agora posso começar de novo" acho que traz um MUITO benéfico efeito psicológico porque sem ele, no caso de que anos nao existissem, acho que muita gente piraria. Eu com certeza.

Gosto disso de "fiz muita merda, mas agora sao águas passadas, bola pra frente, ano novo vida nova". E as resoluçoes de ano novo REALMENTE funcionam pra mim.

Beijos (te devo um email, é só a minha preguiça, mas vou escrever...rs)

aline disse...

Oi Dani (olha a intimidade! :)

Eu adoro reuniões em família. Mas a minha se resume ao núcleo pais-avós e irmãos, e como todos moram na mesma casa, todo fim de semana tem potencial pra ser uma super reunião em família. E é sempre delicioso.

Agora, reveillon é o máximo. Também adoro. Gosto de fazer o balanço, e seguir em frente. A virada é sempre uma chance de tomar folego pra mim.... :)

um bjo!!

Lila disse...

Gostei do texto. É mais ou menos assim que me sinto em relac,ão ao natal. Qto a comida, aqui em casa, instituímos um costume mto legal: a ceia aqui é as 22h. Facilita mto pra fazer a digestão.
Meu namorado e eu tb temos um blog, e ele tb escreveu sobre o natal, se quiser, de uma olhada. É só clicar no meu nick. Hohoho pra vc tb :)

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