26.1.09

dos lugares comuns

Então, eu tava falando justamente que o trânsito é um grande assunto dos paulistanos, senão o maior. Não quer dizer que a gente só pense e se importe com isso, é que esse é o nosso lugar-comum. Começa falando de trânsito, depois a conversa desenrola. Várias pessoas, aqui e em Salvador, já perguntaram sobre os engarrafamentos de São Paulo. Porque, sejamos francos, é algo que já está atrelado à imagem da cidade.
Acho que cada comunidade tem seus próprios lugares comuns. Como estudante e professora de francês, achei que a meteorologia é um desses assuntos gerais dos parisienses, por exemplo. Todo material didático de francês introduz esse vocabulário logo nas primeiras lições. E, quando converso com mes amis pelo msn, ou pelo telefone, uma das primeiras coisas que eles perguntam é se está calor aqui, ou se chove. E falam longamente sobre o clima da cidade. Um deles, Mathieu, sempre justifica sua felicidade com o sol que brilha lá fora: il fait soleil, je suis content...
Assim, de palpite, eu acho que o tempo cronológico, as horas, são uma espécie de lugar comum dos livros didáticos de inglês. Mas devem ser os produzidos na Inglaterra. Pelo menos, foi o que uma amiga minha, professora de inglês disse.
De certa forma, acho que as pessoas até aceitam um pouco os estereótipos mais gerais, quando eles se mostram um primeiro contato entre os outros e uma identidade cultural. Mas, na verdade, os livros mais recentes meio que aboliram a rigidez temática e investem muito em multiculturalismo, pluralidade, diversidade. Prefiro. As nuances dentro da cidade, dentro da língua - ainda que sejam estereótipos menores, mais contextualizados, etc.

5 pessoas pararam por aqui:

Su disse...

Oi Aline, interessante pensar esses diálogos como estereótipos... e tens razão, deve ter um fundo de verdade. Estamos na Inglaterra há 4 anos, e apesar do clima ser um constate C* (sim, esse merece um C maiúsculo), o assunto tempo circula em muitas conversas. Isso me fez pensar sobre os estereótipos do sul (Floripa e Porto Aelgre, de onde venho).Seria o chimarrão? O churrasco? É a praia? É verdade que só tem gay? Não consigo chegar a uma conclusão... srsrs.
Beijo!
PS: ah, a perspectiva da diversidade nestes materiais didáticos são muito bem-vindas!

Anonymous disse...

posso ser insuportavel? Ele diz il fait soleil pq vc provavelmete deve ter dito isso, o certo é il fait beau, il fait soleil non ecsiste!

tah, parei.

Mas oh, adoro clichês!

aline disse...

Su,

Acho que todos eles são válidos, esses estereótipos. Desde que não passem disso, um primeiro contato e só. Também acho muito bom que os materiais didáticos insiram essas ideias, e discutam. É a parte do meu trabalho que eu mais curto.
Bjos

Oi Anonimo

Vc pode ser insuportável qdo quiser, pq o francês inspira mesmo essa antipatia. Mas desta vez não deu. Il fait soleil existe sim. Não é a expressão mais apreciada ou standard, mas é assez usual nas regiões periféricas ou num contexto bem informal. Vc não conhece meus amigos, então nao tem como vc saber que eles nunca diriam nada errado só por educação ou gentileza. Eles corrigiriam sem nenhum pudor. E não precisa escrever anonimamente, eu não sou vingativa. :)

Cris disse...

[ai que bosta, tinha postado um comentário enorme e perdi... =(] bem, adorei a resposta pro anônimo, na boa. eu acho engraçado quando as pessoas dizem que algo em determinada língua 'não existe', como se a língua fosse algo um objeto pronto, acabado, monolítico. nessas horas, sempre me vem à cabeça uma frase de wittgenstein quando ele fala dos jogos de linguagem: 'E não há também o caso, onde jogamos e – ‘make up the rules as we go along’? Sim, e também o caso, em que nós as modificamos – as we go along.(IF, § 83)'. quanto aos estereótipos, eu trabalho com um método da oxford e acho que essa questão do tempo aparece de forma bastante irrelevante. quando há alguma menção ela é bem pulverizada. a ênfase é toda na interação em diferentes contextos. e tem uma coisa que eu acho legal que são os diferentes 'accents'. tem 'inglês' indiano, italiano, espanhol. tem todo tipo de sotaque. nada desse negócio de aprender 'inglês britâncio', que isso também é outra balela, né? =) beijos (e brigada pela visita, volte sempre!)

Cris disse...

inglês 'britânico', cristiane, olha a grafia! hahahahaha

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