25.1.09

insones

Então estávamos os quatro na sala, deitados em colchões. Como ainda não havia nenhum móvel, nem tv, a gente conversou até dormir, naquela noite. O nome disso é improviso. E saudade também, eu e Paulo estávamos há um bom tempo sem visitar ninguém da família. Eu dizia, estávamos os quatro deitados, mas eu estava acordada. Difícil, estar cansada e desperta, e era justamente como eu me sentia. E, deitada perto do meu pai, esbarrei no braço dele.

_ Acordada ainda, filha?
_ To, pai. E você?
_ Também, né, animal?
_ ... Verdade.


Eu adormeci pouco depois disso. E de manhã eu ri e comentei com a mãe e o Paulo a graça da pergunta meio estúpida. Tipo aquelas frases que se diz por força de hábito. To bem, e você? Gosto de lasanha, e você? Etc, etc. Mas o pai nem lembrava. Estava sonâmbulo na hora. Eu sabia que ele falava durante a noite, mas não que interagia tão bem com seus arredores. E conseguia até tirar um barato, etc. A família está agora em consenso: a personalidade bonachona dele é inata, profunda e inescapável.

2 pessoas pararam por aqui:

Thiérri disse...

Seu Mauro, com toda sua simpátia!

aline disse...

sempre

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