6.2.09

meme das 6 coisas

Nenhuma dessas coisas são segredos, são antes informações pouco divulgadas. Quem me passou o meme foi o Ricardo, cuja lista é deliciosa e supera em muito o interesse da minha. Descobri que eu ainda não fiz bobagens e ousadias o suficiente nesta vida.

1. Quando criança, por volta dos 5 ou 6 anos, minha maior diversão era simular desmaios seguidos de um acesso de dupla personalidade pra poder atazanar meus irmãos mais novos. Não sei de onde eu tirei isso, mas eu vestia uma roupa velha e vermelha da minha mãe, fingia estar tonta, colocava o pulso sob a testa e caia no sofá, dizendo "mon dieu...". Aí eu acordava, explorava eles, brigava, exigia que me servissem coisas de comer, que pegassem meus brinquedos, e depois desmaiava de novo, pra acordar sendo Aline, a boazinha. Minha segunda personalidade inventada tinha até nome, mas agora eu não lembro mais qual. Minha mãe só descobriu isso quando eu tinha uns 15 anos, num dia em que meus irmãos resolveram romper o silêncio e externalizar seus traumas de infância (= minhas atitudes perversas).

2. Fui artista quando jovem. Escrevia poesias desde os 8 anos. "Produzi" gibis inteiros com os personagens da Turma da Mônica e depois com meus próprios personagens, inspirados nas professoras da minha escola. Escrevi pequenas peças de teatro pra encenar com meus primos - e dirigi uma delas, durante uma tarde, pra apresentar pras mães antes que a visita acabasse. Preparava jograis e poesias pros dias das mães, dos pais, etc. Fiz curso de artesanato folclórico com argila junto de umas senhoras, quando tinha 12 anos. E ganhei dois prêmios de poesia ilustrada, mais um de desenho, em Praia Grande, na mesma época. Todos na família achavam, e eu também, que eu seria artista. Mais provavelmente, escritora e/ou desenhista. Mas simplesmente parei de escrever e desenhar aos 16 anos e nunca mais retomei. Hoje, meus alunos riem quando tento desenhar alguma coisa na lousa.

3. Não acredito em deus, espírito, coisa nenhuma. Mas eu tenho um medo de fantasma inexplicável e vexatório. Aquela menina d'O Chamado (seja a versão japonesa ou americana, mas a japonesa é pior), então, me é assustadora. Não é brincadeira, é um medo violento, mesmo. Tipo, pensei nela agora, gelou a espinha e eu olhei pra trás antes de contnuar escrevendo. Esse medo já me fez pagar altos micos, como implorar pra minha turma inteira interromper uma cantoria em volta da fogueira em uma praia às 4 da manhã porque eu cismei que estava sentindo algo estranho. Eles me contaram depois que tinham preparado uma brincadeira meio macabra: um deles ia aparecer na janela sob a qual eu dormia usando uma capa e uma foice, pra me assustar. Mas eles desistiram porque acharam que o risco de eu morrer do coração ou surtar era real (e eles estavam certos, eu ia morrer mesmo).

4. Minhas primeiras descobertas sexuais foram dentro da escola, com meu namorado da época. Isso porque ele era muito religioso - a família dele era - e a mãe não deixava eu entrar a casa deles sem que ela estivesse. E, ela estando, a gente não conseguia fazer nada. Eu morava longe e ele quase não podia ir até lá. Então as salas de aula vazias nos foram muito úteis. A gente nunca chegou a transar na escola, mas eram uns amassos mais quentes. A professora de inglês gostava da gente e superacobertava, chegando inclusive a nos alertar quando alguém vinha nos procurar. Essas escapadas acabaram virando polêmica, pois a inspetora chegou a telefonar pra minha mãe pra "alerta-la" (= me denunciar) e dizer que eu podia acabar "malvista" pela escola. Foi um deleite ver a cara de decepção dela enquanto minha mãe, do outro lado da linha, dizia que sabia quem eu era e que tudo era conversado em casa (verdade, nunca houve tema tabu em casa, eu nunca tive medo ou vergonha de contar as coisas pros meus pais), e que a inspetora deveria se preocupar mais com a própria vida do que em fazer fofoca sobre adolescentes e que, no mais, eu era excelente aluna, tinha ótimo relacionamento com os professores e colegas e que ela tinha mais o que fazer, passe bem. Ou seja, minha mãe passou o sabão na inspetora, que nã tinha nada de concreto contra mim, a não ser seu moralismo. Quando desligou, a inspetora só conseguiu me olhar e dizer "se a mãe é assim...". Eu ri e voltei pra sala de aula, orgulhosa de mamãe.

5. Falando em mamãe, ela foi sorteada numa promoção do Faustão na copa de 94 e ganhou um carro. O jogo era Alemanha x Espanha, e sorteavam três cupons pra concorrer a um Corsa, um pelo empate, os outros pela vitória de um dos times. E, no final, o Faustão sorteava o carona, que era um cupom que ganharia um carro independente do resultado do jogo. Minha mãe foi esse carona. Ela só tinha enviado um único cupom. E a cor do carro que a gente ganhou era aquele azul meio roxo. A cidade era pequena então o carro ficou conhecido no município todo, foi uma época bem legal. A gente estacionava o carro e as pessoas vinham perguntar se era o Corsa do Faustão. Uns até pediam pra encostar na gente pra ver se a sorte passava pra eles, imaginem a cena.

6. Eu engravidei aos 17 anos. O frio na barriga que eu senti quando o médico circulou a palavra positivo na folha do teste, diante dos meus olhos, é algo indescritível. Acho que foi uma das maiores sensações da minha vida até hoje, essa vertigem. Não sei se eu fiquei feliz, porque felicidade até então era um sentimento que eu tinha ligado a outras coisas, e essa era diferente de tudo. Sei que foi extasiante. Eu perdi o bebê, dois meses depois desse dia. E as consequências e circuntâncias em que isso aconteceu eu ainda não vou dizer aqui. Só digo que sofri muito e por muito tempo. Foi nessa ocasião que eu percebi que minha adolescência tinha acabado de vez, e que eu tinha me tornado outra pessoa. Mais forte, menos crente. Talvez até uma pessoa melhor.



Gostaria de repassar o meme das 6 coisas pra Camila (eu não tenho FaceBook, Camila, tenha dó. Faz uma seleção entre os 25 e publica no blog, vai? :), pro Thierry, pra Lu (o Ricardo já te convocou Lu, não fuja da raia), pra Dani, pro Victor, pra Tha, pra Marjorie. E pra quem mais quiser escrever, no blog ou nesta caixa de comentários.

7 pessoas pararam por aqui:

Thiérri disse...

Mew...
vou pensar direitinho e até segunda eu posto o meu!!!
só uma coisa... é ThiééééérrIIIIIIIIIII...
beijos!!!
espero te ver amanhã

Ricardo C. disse...

Aline, embora eu esteja com pouco tempo pra comentar os teus segredos — estou fora do Rio —, posso dizer que esperava, entre eles, encontrar algumas reflexões profundas tuas. Taí algo que distingue o teu blog: gosto mesmo desses aspectos da vida que vc comenta, alguns absurdamente pessoais, mas quase sempre de apelo absolutamente universal, nem um pouco "querido diário"...
Dez!
Beijos

Victor Bianchin disse...

Pera, que que é meme?

marjorierodrigues disse...

Respondi o meu! :)

aline disse...

Thi e Victor, ainda na espera. :D

Marjorie, ficou bem legal.

Ricardo, muito obrigada. Fiquei super lisonjeada de vc ter me escolhido pra passar o meme. Mesmo, mesmo. :)

Juliana Dacoregio disse...

Que figura... Desmaiar dizendo "mon dieu"! hahaha... Adorei!

aline disse...

então, Juliana. Eu ainda acho que isso foi uma travessura, engraçadinha inclusive. Há quem discorde, tsc tsc tsc

:)

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