13.3.09

mais infâmias da publicidade

Acontece que depois de assinar tv a cabo, o nível das propagandas cai vertiginosamente. Sinto saudade da boa e velha tv aberta, com comerciais sobre desodorante. Porque nenhuma criatura, batizada ou não, merece assistir às propagandas de perfume caro. Não é só non sense. É ridículo. Esse moleque magrela aparece na minha frente desabotoando vestidos só com o estalar de dedos e remelexo de joelhos-quadril, eu morro de rir. O frasco é uma barra de ouro. Isso é tão cafona que, nossa. Eu fiquei lembrando do Silvio Santos e a maleta de barra de ouro do Show do Milhão. Se essas coisa já não fossem feitas por gente que realmente é e convive com a high society, eu jurava que era coisa de novo rico estilo tapete de pêlo de zebra e vaso chinês no hall. Meu glamourômetro deve estar quebrado.

Outro que eu adoro. Shampoo anti-stress. Adoro quando tratam de uma parte do nosso corpo como um indivíduo com vontade, autonomia e destino próprio, fadado ao fracasso e à extinção caso a gente não tome uma providência e use o produto blablabli. Apareceu agora um tratamento pro Stress do cabelo. Sem E na frente, porque stress capilar é outro nível. Mas aí precisa esclarecer. Que eu não sou uma brutamontes que ignora as causas externas e internas que embagulham as pessoas. Acontece, fio, que se você bate perna debaixo do sol ou seca os cabelos com o vento pela janela do carro, seu cabelo não estressa, ele arbusta. Mas no hard feelings.



Sobre Doritos. Não tenho o que dizer. Só parafrasear a Mary W. Que o politicamente incorreto é posto como engraçado aqui. E então vem uma enxurrada de preconceito e intolerância, pra fazer as pessoas rir. Um saco, essas últimas semanas.

4 pessoas pararam por aqui:

Marcus disse...

Tenho que admitir. Essa campanha do Doritos tem uma certa sutileza que enganou até amigos meus, que não são homofóbicos, e não viram homofobia nos filmes. Disseram que o que os amigos viram de ridículo no rapaz foi apenas a dancinha e não a preferência pelo Village People...

Talvez uma boa parte do público não se aperceba da mensagem, porque não conhece Village People ou sua relação com o imaginário gay. Às vezes soa como aquelas ideias "geniais" de publicitário que não dão certo.

O outro filme da campanha, em que um cara faz piada com gás hélio cantando Madonna, é ainda mais sutil. Mas unindo as coisas (Madonna, Village People e "não divida isso com os amigos") dá pra perceber o claríssimo subtexto.

aline disse...

Pois é, Marcus, acho que a grande sacada é essa mesma, ficar num nivel imediatamente abaixo do perceptível pra maioria. Qe pode até dizer aos incomodados que eles estão exagerando. É exatamente assim que se constroem os argumentos que barram e atrapalham a igualdade de direitos, tolerância, etc. Estimular o "deixa disso, é só uma piada", sendo que, como diz o Alex do LLL, quem sabe da ofensa é o ofendido.

Abraço :)

mary w disse...

nossa. isso dos comentarios. o grande lance é mesmo voar abaixo do radar. nao tinha pensado nisso.

mas nao é isso q eu ia falar. sobre cabelo stressado. uma vez numa aula de antropologia. falando sobre aquilo q é diferente e logo taxado de anormal. e varios exemplos "nobres". e entao uma aluna vira e diz "e cabelo? xampu pra cabelo normal? o meu cabelo nao é normal?".

aline disse...

acho que é aí que se escondem a maior parte das publicidades e piadinhas discriminatórias. a doritos nem precisa se defender. ja tem boa parte das pessoas como álibis. todos os q não se tocaram já estão defendendo. dizendo que os ofendidos são paranoicos, radicais, etc etc. aí é difícil.

eu ri um *tanto* com a história do cabelo. tem nem o q dizer, né?

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