21.5.09

da minha janela, eu vejo



Da minha janela eu vejo um prédio verde muito velho e sujo. Há um menino que mora num apartamento dos fundos e que ama empinar pipas e é capaz de passar assim muitas das horas das tardes, na sua sacada verde e cheia de limo. Quase sempre sua pipa engancha na copa da árvore e ele fica um longo tempo puxando e tentando desvencilhar seu brinquedo dos galhos, até que desiste e some por uns minutos quando então volta com outra pipa, bastante colorida e precária, que cedo ou tarde acaba também capturada por esta terrível árvore chapéu de sol.Torço todos os dias pelo menino, mas suspeito que isso não o favoreça em nada porque até agora a árvore está vitoriosa e rica em pipas coloridas.

Não sei porque não brinca na rua, ou porque tenta tanto recuperar a pipa se há sempre outra e outra no estoque. Porém sei com bastante precisão que este embate arruina todos os meus afazeres vespertinos.

16 pessoas pararam por aqui:

Charlles Campos disse...

Lindo post, Aline! Me desculpe contrapor com um comentário tão banal, mas não vejo como evitar: enquanto houver tamanha sensibilidade, a web talvez possa trafegar pelo caminho oposto do que tudo indica, e se tornar em algo verdadeiramente necessário.

Rafael Reinehr disse...

A luta pela liberdade não conhece limites humanos ou superhumanos…

aline disse...

puxa, Charlles, não é banal, não. eu agradeço a gentileza do comentário.
mas eu acho que a web altamente necessária, flexível, potente. :)

aline disse...

Rafael, vc disse isso e eu lembrei da frase mais célebre da cecilia meireles, sobre a liberdade: que não há quem explique nem ninguém que não entenda.

Charlles Campos disse...

“eu acho que a web altamente necessária, flexível, potente”. Com tamanha fé, não sei por que se diz atéia.

gugaalayon disse...

então o livro está pronto!

aline disse...

mas eu ia precisar dessa conclusão belíssima a que vc chegou, Guga, pra esse livro. :)

(pode? chamar de guga?)

gugaalayon disse...

vai ver as pipas nascem na árvore e ele todo dia colhe uma para libertá-la do chapéu para o sol.
Seu post dava um belo livro infantil

Ana E. disse...

hahaha comecei a associar livremente sobre a história… o que será que acontece com esse menino? por que ele não vai pra rua? será que é o medo da violência, medo dos colegas, medo dos seus pais? são tantar as possibilidades que nos nunca vamos saber a verdade “absoluta”. o que nos resta trabalhar apenas com o nosso sentir…

aline disse...

Ah, obrigada. Eu to toda contente com o espaço aqui… Sobre a foto, aquela de antes mora no meu coração. Se ela coubesse nesse template a gente provavelmente nem teria cogitado de trocar. Aí deixou essa como provisória enquanto decidia o que fazer. Só que gostei de como ficou, da mudança. Enfim, mais pessoas deram sugestões, a gente leva todas em consideração e vai deixando o blog mais bonito pra mim, pra vc e pra todo mundo cantar junto!! (hahaha)

Claaaro que eu já soltei pipa. Qdo eu era criança, a gente fazia as pipas com meu pai. E ele aproveitava o formato do distintivo do São Paulo pra fazer pipas tricolores, com as letras e tudo. Adoro pipa.

beijos

ps. vc tbm não me perguntou, mas eu acho piercing de pedrinha no nariz a coisa mais linda. Minha irmã usa, é tudo fofo.

Érika disse...

Linda casa nova! Lindo post, fiquei imaginando a cena do menino soltando pipas pela janela! Já soltou pipa? É tão libertador. Eu acho que vou soltar pipas com meu irmão…

beijos!

P.s.: Vc não me perguntou, mas eu preciso falar, eu gostava tanto da outra imagem que tinha no blog antigo. Essa daí me dá aflição. :(

aline disse...

*explosão de risos*

Mariê disse...

O post já era deveras poético, com a conclusão do gugaalayon e do cesarkiraly então… por isso que os comments são tão importantes, né?

Bj

aline disse...

vc tem razão. mas olha as respostas que o Rafael, Guga e o César deram pra insistência do menino. Do filosófico ao poético, que é como devem ser nossas reações. :)

beijos, Ana E.

aline disse...

há, é bonito também. juro que não consigo pensar em uma aolução poética o bastante. e eu tentei.

Cesar Kiraly disse...

eu sempre penso parecido com o guga. mas para mim ele não é um soltador de pipas. mas um enfeitador de árvores. e se dá por satisfeito por isso. e passa o dia a escolher cores. e a testar. para que estejam bem presas.

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