5.5.09

do sonho que me entristeceu


Eu sonhei que tinha voltado pra São Paulo pra visitar todo mundo de quem sinto saudades, então saí à noite com algumas amigas de faculdade, e foi como habitualmente era: uns dois barzinhos, bastante bebida, bastante risada, conversas que faziam sentido no contexto atual da minha vida: que saudade, lembra como era, etc etc. E aí virei a noite assim, e me vejo de manhã sozinha, com as ruas da zona oeste cheias de gente, como se fosse um evento cultural, e a própria zona oeste parecia o pelourinho, o centro de colonia del sacramento ou qualquer cenário assim, porque havia apenas aquelas casas muito antigas, com janelas grandes e baixas, portas abertas e pintadas de cores alegres e quentes e luminárias acesas. Era bonito demais. Essas casas eram bares ou espaços pra atividades artísticas e as pessoas entravam e saíam, muita música e conversa e eu estava parada na frente de uma casa bem estreita e com a porta velha, podre e fechada. E eu girava pra ver se tinha mais alguma coisa que me interessava, mas não: eu queria ficar na frente daquela porta e descobrir o que tinha lá dentro. Então uma fila começa a se formar atrás de mim, e todos esperavam que eu abrisse a porta, mas eu estava com bastante receio de fazer isso. Aí a Fli aparece rapidinho do meu lado, querendo comentar algo com alguém atrás de mim, nota que eu sou eu e diz: Nossa, você está aí, então eu vou entrar primeiro. Eu tomo coragem, abro a porta e me deparo com um salão médio no estilo casa simples colonial, mas é muito bonito e claro. Tem uma orquestra com máscaras folclóricas tocando peças do villa-lobo, e eu sei que era villa-lobo porque no sonho eu sabia, pra uma meia dúzia de velhinhos, sentados em cadeiras de vime eu entro bem de mansinho e as pessoas entram atrás de mim. Sento e duas cadeiras à direita a Fli senta também eu olho pra ela, ela está bem gordinha, eu pego a mão dela e beijo e digo que ela parece triste. Ela diz: estou muito, você não sabe? O J. morreu. E eu imediatamente fico mais triste do que consigo explicar, agora que acordei e a linguagem é essa que se usa em dia de semana. No sonho a tristeza sempre dói de um jeito diferente. Mas enfim, eu saí do salão, fui andando e chorando inconsolável, me afastei daquelas ruas alegres e segui pelo caminho que eu seguiria se de fato quisesse voltar pra cidade universitária. Aí eu percebo que meu celular está tocando na bolsa, e sem atendê-lo eu ouço a voz da minha mãe dizendo pro meu pai que eu não atendia e que ela estava preocupada. Eu atendo, tristíssima ainda, e acordo.

Acabei de acordar, com uma sensação de desproteção incrível, e levemente triste.

1 pessoas pararam por aqui:

josue mendonca disse...

Aline
quando me mudei pra Salvador, sonhei diversas vezes que estava na minha terrinha, lá no interior de pernambuco, onde eu havia crescido...eu sentia muitas saudades de minhas amizades e de tudo que havia vivido lá..
aqui em salvador, eu tinha a sensação de que estava num outro mundo... me sentia literalmente um peixe fora d'água
lembro também que meus sonhos eram sempre intensos, as cores, as emoções...acho que porque sempre estavam envoltos numa grande saudade..mas vc falou algo que agora que me toquei ''No sonho a tristeza sempre dói de um jeito diferente''..não sei porque..mas é verdade..
outra coisa que achava engraçado..todos esses sonhos nostálgicos pareciam sempre reais. era como se realmente eu tivesse sido transportado pra aquele lugar...
passei mais ou menos um ano assim..sonhando muito...entre alegrias e tristezas..
com o tempo parei de sonhar tanto..
mas quando sonho e acordo, sinto como se uma parte de mim tivesse ficado lá...perdida numa realidade que não existe mais...
abração

Postar um comentário

Diga lá.