7.5.09

dos pequenos


criaturitchas

são milhares e cabeçudinhas, por vezes, remelentas, não faço idéia do que fazer com elas, não me incomoda ficar horas olhando pra elas do jeito que elas me olham, é até seguro, se extrapolar essa barreira eu me apego e aí é foda. é minha posição frente ao estágio, acho que vou por isso em anexo no relatório.

***

anexo 2 ou grandes momentos do estágio ou os trapalhões na terra dos monstros ou mary poppins que estais no céu supercallifragilisticexpialidocious

menininha me chamando: ô tia! ô tio?

-

coordenadora: vou te mostrar a turma que você vai estagiar. se bem que a professora desta outra aqui não chegou, você pode cuidar deles?

ciola: eu nunca fiz isso, eu não sei fazer isso, eu não quero fazer isso.

coordenadora: então vamo lá que eu vou te apresentar pra eles.

-

igor anarquisando o rolê, eu com toda a minha carga de estudos de pedagogia, opto por suspendê-lo à alguns palmos do chão.

igor: me solta! me põe no chão! me solta!

solto o moleque.

os outros: carrega eu! me levanta! levanta eu!

-

menina triste cabisbaixa quase deprimida vem andando em minha direção: ô tio, aquele menino me chamou de 'vó da chiquinha' e saiu correndo!

eu: ah é!? então a próxima vez que ele te chamar de vó da chiquinha chama ele de seu barriga.

menininha alegre resplandecente nem parece mais a mesma, vai correndo pro outro lado.

-

ciola: agora vamo conversar. quem quer falar?

todos: eu! eu! eu! - dedinhos lá no alto.

ciola: você pode falar.

ele 1: [se encolhe dengoso]

ciola: tá bom quem mais quer falar.

todos: eu! eu! eu! - dedinhos lá no alto.

ciola: você.

ele 2: caga cocô.

ciola: ok falou, quem mais quer falar.

todos: eu! eu! eu! - dedinhos lá no alto.

ciola: agora ela.

ela: peidá xixi!

ciola: ok eu vou falar agora. pessoal acho que a gente tem um problema muito sério de brigas aqui nesse segundo estágio. é errado ou é certo ficar batendo um no outro?

todos em coro: certo!!!

-

criança 1 derruba um pedaço de melancia no chão.

criança 2: xi, num pode comer por que tem bricóbrio!

ciola: não se diz bricóbrio, se diz micróbio: mi-cróbio.

cr1: tio pode comer caroço de melancia?

ciola: pode, mas vai crescer um pé de melancia gigante na sua barriga.

cr2: aí tem que fazer uma aperação.

ciola: não se diz aperação se diz operação.

cr2: isso, cooperação, minha mãe já teve que fazer. tio como é o nome da sua mãe?

"ah moleque!" - penso comigo mesmo.

ciola: vamos fazer assim: eu vou dizer o nome inteiro da minha mãe e você repete.

(...)

-

professora: quero ver quem trás até aqui a primeira letra do seu nome pra me mostrar.

a menininha olha praquele mar de letras à procura da letra que é a primeira letra do nome dela, olha calmamente mas está hesitante e afoita. vai pegar uma, não vai, vai-não vai, escolhe finalmente, pois uma letra é uma aposta, está confiante e leva pra professora ver.

professora: isso é o número 2.

__

é isso. agora é sair e comprar uns preservativos.


Meus posts preferidos no blog do Ciola.
E olha que tem vários lá que eu gosto de um tanto que nem saberia fazer meu top5.

7 pessoas pararam por aqui:

lu disse...

hahahaahah
que foooofice!

(mas eu concordo com o comentário final, preservativo sempre.)

Tina Lopes disse...

Ah, adorei. Apesar de ter odiado estágio (fiz magistério).

Mariê disse...

Um monte de criança junta é sofrimento certo.
Acho a idéia dos preservativos excelente, quem dera muitos mais o fizessem.
Bjs

Daniele disse...

massa XD

aline disse...

hehehehhehe

consensos, né: fofas as crianças, fofo o texto, fofo o ciola.
E preservativos, sempre, "mais do que nunca", já diria o Faustão.

(Tina, estágio é sempre uó. Odiei demais tbm)

(Mariê: hahahaha)

Anonymous disse...

rs...
É bem aquela frase do Machado: ...´não tive filhos, não transmiti a nenhum ser o legado da nossa miséria´. Me veio isso, quando li a última frase do post. Machado se faz presente.
Sabe, dava aulas no Brasil para turmas de 5a. pra cima. E no Japão, diretora de uma escola, me ofereceu aulas para turmas de nível infantil e fundamental. Cara, adorei, muito mesmo, tanto que acho que vou fazer pedagogia. rs... é serio, como disse outro professor, o Thiago, é absolutamente necessário, o nosso trabalho. rs.
bjs
madoka

aline disse...

Eu acho que professor é *o* trabalho fundamental. E eu tenho o Japão como super modelo de respeito à catiguria, confere, madoka? Aquela história de o imperador só se curvar pra um professor, é tudo verdade?

Então, eu gosto de crianças pequenas, eu sei que dão trabalho, ams acho que elas são tão inteligentes, doces... Não estão na defensiva, nem na ofensiva, como acontece com os alunos adolescentes. :)

bjos

Postar um comentário

Diga lá.