26.8.09

da ética

Numa palestra sobre educação, o palestrante abordava a desritualização da sala de aula, dissolução de papéis, a produção do fracasso escolar, etc, etc. Aí uma senhora levanta a mão, meio tímida, meio inconformada, e diz que o problema do ensino público do país é que falta ética aos professores. O palestrante aperta os olhos, sorri de canto de boca e aponta-lhe o dedo:

- você é ética?
- eeeeeeeeu? - ela diz, rindo nervosamente, com as pontas dos dedos a tocar o seio - sou.
- e a senhora, ao lado?
- quem, eeeeeeu? - olha pros lados, confirma se é pra ela que se voltam todos, e a reação é semelhante à da colega - sou.
- você, ao lado, é um professor ético? - e o rapaz, apenas com a cabeça, confirma. Ele é.

Aí o palestrante vai apontando pra cada uma das pessoas da fileira, e depois da fileira seguinte, e a seguinte, perguntando se a pessoa é ética. Todos confirmam, uns riem, outros não, até que o palestrante prossegue:

- bem, são todos éticos! claramente não é esse o problema do ensino público no país.

18 pessoas pararam por aqui:

Georgia Martins disse...

AMEI!
Chega de colocar o problema no colo dos outros, que comecemos por nos mesmos!!!

aline disse...

:)

Iara disse...

Lembro bem dessa história ;-)

Na mesma linha, meu pai diz que bom-senso foi o dom mais bem dividido no momento da criação: as pessoas podem reclamar de falta de beleza, de talento, até de inteligência, mas tô pra ver alguém dizer "pô, nasci sem bom-senso."

aline disse...

conhecer o palestrante confere à história muito mais graça. ficamos imitando, eu e paulo, como ele contou o episódio pra nós.

hahahahahahaha

demais a frase do seu pai. demais, demais. :)

Désir La Vie disse...

Perfeito!


Ri demais aqui. ;)

Também sou da área da educação, Aline, embora afastada e muitíssimo desiludida...
E esses professores-museus conservadores, hein? O que dizer?

Parecem tão distantes anos-luz da problemática toda, e ficam nessa mesmice aí...Ou culpam os professores pela falta de ética, ou julgam os próprios alunos, ou a família desses...

aline disse...

ehhehehee

sério? vc é professora do que?

não são apenas os museus-conservadores que se queixam disso. essa queixa da falta de ética no trabalho é mais geral, eu acho. na educação, vixe. transborda essa fala aí.

Désir La Vie disse...

Prof. de História.
Desiludida e péssima intérprete-atriz nesse teatro todo.

Quase desistindo...mesmo com esperanças!

hahahaha

aline disse...

Eu acho que História é uma das melhores matérias. Sempre fui apaixonada.

Pq vc tá desistindo?

Désir La Vie disse...

Ah, além do salário, claro!

Désir La Vie disse...

Sem dúvidas, também acho! =)))

Não estou 'bem' desistindo, estou parada e sem lecionar(e por opção tb). Tou terminando umas últimas disciplinas na Facul e longe de tudo e todos.

É que sou extremamente pessimista e não consigo ver beleza e satisfação numa sala com 40 alunos, onde somente 2 participam...e mesmo assim, exageradamente abaixo da média do que se espera.

Mas pretendo mudar essa minha visão/pensamento...

;)

aline disse...

Entendi. Um monte de gente desanima no meio do caminho. Acho q ninguém deve lecionar se não tem vontade, se não acha que faz sentido. Não sou a favor de missionarismo. O que me dá pena é que não é o ofício que desanima as pessoas, mas as condições, as circunstancias. Salário, por exemplo. Falta de plano de carreira, etc etc.

:****

Danilo Albergaria disse...

É por isso, Aline, que estou fazendo pós em jornalismo científico, embora seja professor de história (se bem que as condições pra jornalista não devem estar boas).

aline disse...

mas no jornalismo acontece um fenômeno parecido, acho. (falando da "crise de ética")

sobre más condições de trabalho, é complicado. tem gente que se dá super bem, tem gente que se ferra. minha mãe é jornalista, mas não exerce há muito tempo. foi uma das que desanimou.

Marcus Vinícius disse...

Tá inspirada ultimamente, hein! =)
Beijão. Muita saudade de vc.

aline disse...

hahahahhahahahaha

eu to! :D

to com saudade tbm, mas a gente se vê sábado... né?

Deh disse...

O que me cansa mais é o negócio da bunda na cadeira, xicrinha de café na mão e reclamação o tempo todo. Não entendo como a pessoa pode viver reclamando O TEMPO TODO DE TUDO e trabalhar desse jeito.
Pra não me acostumar com isso e não me deixar contagiar pretendo abandonar rapidinho a profissão. Amo adoro estar com meus alunos, mas não gosto do tratamento que recebo dos patrões. E me irrito vendo gente com cara de nojo se referindo aos alunos, dizendo que são "gente sem pedigree".
Mas adorei o post. :)

aline disse...

pois é. eu fiz o colegial em escola pública e o estágio da faculdade todo. quase 500 horas de aulas e reuniões, e presenciei todo tipo de situação. meu marido foi professor eventual em são paulo por quase dois anos, e eu vi o quanto ele se sentiu imprestável. a pior parte, pra mim e pra ele, era o tom debochado dos professores mais velhos em relação aos mais novos que queriam se envolver mais com a escola, com os alunos.
no final das contas, tanta gente acusa os outros de não ser ético esquecendo de olhar pra si mesmo, ou até de problematizar mais o mundo em que vive. só a ironia salva.

que bom que vc gostou. obrigada pela visita.

Silvino disse...

Muito boa! Enquanto professor, sei do se trata a relação entre ética e moral (um, interior e, outro, exterior) em sala de aula, nada simples de coordenr. Muito se diz e, realmente, pouco se faz em nome da Educação. Pois, no lugar do grilhão que nos prendia no Pelouro está o aviso prévio ameaçando-nos da dispensa. Sucesso e parabéns pela interface do Blog. SMB

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