20.8.09

vinicius de moraes revisitado

Imperdível, neste momento, o post de Marcelo Coelho no Blogs da Folha, na seção de Cultura e Crítica. Tenho dúvidas quanto à qualidade do quesito "cultura", mas que a "crítica" transborda no texto é fato. Marcelo inaugura um novo ramo na análise política, a saber, a política estética, mais ou menos aguardada para as eleições presidenciais do ano que vem, por aqueles que sabem como funciona o machismo por aqui. Ter sido o primeiro a formular e publicar opiniães e comparaçães sobre a aparência das mulheres presentes (ou nem tanto, no caso da Marta) no cenário político hoje certamente confere ao nosso afoito colunista a posição da vanguarda.
O texto pode causar alguma indigestão, pode irritar os mais sensíveis. Contudo, há de se convir que nos falta uma Cicciolina, ou ao menos uma Sarah Palin, que nos mostre que é possível ser bonita e funcionária do polvo. O problema, eu diria a Marcelo, é que a gente paga muito melhor às beldades para serem beldades do que para serem políticas. Os cachês para ensaios fotográficos, capas de revista, entrevistas com dicas de moda e beleza, propagandas, desfiles, sem contar um salariozinho em alguma emissora que queira emplacar uma nova protagonista para a novela do horário nobre, tudo isso costuma render mais bufunfa do que a carreira política. Só se a beldade se embrenhasse em muitos esquemas, caixa dois, desvios, troca de favores, sonegações, se conseguisse colocar metade da família, parte dos amigos e um ou outro conhecido nos gabinetes dos colegas - mas aí é demais, a beldade teria que ser política e corrupta, ela teria de se arriscar a ser denunciada numa época de vacas magras ou por causa de uma aliança ruim. Sabemos que a imprensa tem feito o melhor que pode para encorajar os futuros aspirantes aos cargos públicos, aplacando-lhes o medo de denúncias e investigações. Mas, pelo sim pelo não, melhor ser beldade, que é honesto e paga bem.
Por outro lado, ocorre-me que nossos jornalistas não são, assim, bonitos e másculos o bastante dentro do padrão Ruffles de identidade e gênero. O próprio Marcelo Coelho parece uma mistura de Brito Junior e Pedro Cardoso, o Clovis Rossi poderia ser o Papai Noel. Agora que a obrigatoriedade do diploma para o exercício da nobre função caiu, talvez fosse o caso de selecionar alguns modelos-atores xóvens e atléticos para embelezar as redações. Além de melhorar o ambiente e estimular os outros a cuidar da pele e da alimentação, já valerá a pena ver fotos de belos rostinhos nos cantos superiores das colunas laterais dos blogs. Os olhos do Jesus (o da Madonna, não o da Virgem), por exemplo, talvez me dispusessem melhor para os textos que vou ler, mesmo que seja um sobre o poder de sedução de Marina Silva. Que me desculpem os jornalistas feios, mas beleza é fundamental.

Jornalista da nova geração e um jornalista da velha geração ao fundo

32 pessoas pararam por aqui:

lu disse...

por isso a internet é ótima. com aqueles lixos que os jornais se dispõem a publicar, e com textos como esse em blogs a um clique de distância, é só questão de achar os lugares certos onde clicar ;)
escroto demais esse marcelo coelho. sempre me impressiona a disposição dos jornais de publicarem abobrinhas nas seções de opiniões e colunistas.

aline disse...

pior texto o desse cara. pior, pior. e se começou assim, eu me preparo pro ano que vem.

legal que vc gostou do post ;)

Mariê disse...

Ao ler o texto do coelho a conclusão é que não há limites para a imbecilidade das pessoas.
Adorei o post.
Beijo

Arthur disse...

O que me irrita mesmo é o mea culpa capenga que ele postou depois. O "exercício de subjetividade" só torna ainda mais intragável o que ele escreveu.

aline disse...

Mariê, a palavra que eu acho mais correta é machista mesmo. Aquele texto é absurdamente machista. Beijos.


Kenzo, sim, eu vi. O escape pela subjetividade, assim como o pela piadinha, são irritantes porque lidam com o erro de interpretação do outro, e não com o signficado inegavelmente latente do texto. Ele diz q percebe, pelos comentários negativos, que foi machista. Nem faz sentido. O texto é machista e ponto, e não porque feriu as subjetividades alheias. Enfim. :***

Désir La Vie disse...

Eu acho que já conheço essa história...Hehehehehe

Amei, Aline!

O Marcelo é feio demais. Me admira ele falando de 'padrões de beleza feminina'...
E outra, tô impressionada como você conseguiu defini-lo perfeitamente: uma mistura exótica de Brito Junior, Pedro Cardoso, Clovis Rossi. E a boquinha, então? Vê lá.

Digamos que ele tá bem longe - coisa de anos-luz-, de algo 'considerado belo'.

E porque não espelhar-se na masculinidade-Jesus-de-ser, unicamente? Hein?
LOL

Você acredita que ontem fiquei horas olhando pra cara dele sem me lembrar com quem ele parecia...Não me veio nada na cabeça, mas você matou a pau!

Beijos
=)

aline disse...

hahahaha

né? se a aparência é importante pra uma política, então pra um jornalista tbm, uai. :D

eu achei ele a cara do brito junior, com mais cabelo. hahaahha

q legal q vc gostou!

:***

Haline disse...

Eu já li sobre isso em alguns blogs, alias, eu gosto muito do que ele escreve normalmente, então já tinha comentado lá mesmo. Fiquei meio decepcionada e tals. Enfim. Mas qdo comecei a ler seu blog e por ter visto a foto dele esses dias tantas vezes, nem me veio esse lance de ser feio não, mas é que ele tocou na "feminilidade" né? Um padrão de delicadeza, sei la, o que ele acha que deva ser uma mulher. E, rs, ele parece muuuuuuuito gay. Bem longe do que mentes como a dele pensem que "deva" ser um homem. Se mulher deve parece delicada e frágil, então é justo que o homem pareça forte e protetor não? Não é o caso. rs E como não sei separar as coisas mesmo, não leio mais ele. bjo pra vc!

aline disse...

Eu acho que ele mistura as instâncias, né? Aparência, comportamenteo, feminilidade. De todo jeito meu texto é só uma ironia, não é uma análise do que ele disse. Um sarrinho apenas.
Eu nem acho que ele pareça gay especificamente. E mesmo que for, não torna as coisas mais irônicas porque gays também podem ter a ideia de feminilidade assim, fixa.

bjo

aline disse...

\o/

Edi disse...

Ahahahha, perfeito perfeito....

curioso disse...

oi, cheguei aqui através do OPS!
você tinha blog lá? porque você saiu?

aline disse...

por causa daquela banda de rock:

saí porque KISS.

:D

Esdrúxula disse...

que ridículo esse Marcelo Coelho.
Pelamor, e ainda tem quem elogie o texto dele nos comentários. Tem gente pra tudo nessa vida.aff.
Adorei seu texto.aliás, como sempre, né.

aline disse...

Thamy, vc encontra defesa pra tudo nessa vida, pra tu-do. Um texto desse, chamando as políticas de feias é que não ia lograr. Mas sim, muito ridículo e equivocado da parte dele.

Que bom que vc gostou. :)

Ana disse...

Nossa, pelo esquentar do post com os comentários, vou correr para ler tal texto. E que decepção este mundo ainda ser tão arcaico.

No mais, até que vi redações bem enfeitadas por aí. haha.

aline disse...

Pois é, Ana, é triste mesmo. Eu acho um ganho ter duas, até três mulheres concorrendo à presidência. A gente não pode perder issod e vista, e considerar um avanço. Tem abertura. Mas tem uma contrapartida, que é o surgimento de textos como o do Coelho, e eu sinto que vem mais por aí.

redações bem enfeitadas!? ah, elas grassam por aí.

Anonymous disse...

Que bom que tem gente com estômago para ler estas *erdas da Falha pranóis.

Só uma dúvida à legenda da foto:
É "Jornalista da nova geração e um jornalista da velha geração ao fundo" ou " Jornalista da nova geração com um jornalista da velha geração no fundo"

Adoro este saiti.
João da Luz

K. disse...

como vc é incoerente, menina do Langerie Day. e nem percebe.

aline disse...

João, eu não tenho estômago sempre não. Quanto à sua dúvida, acho que as duas frases tão certas. Mas enfim, tanto faz.

Brigada.
:*

aline disse...

Querida K.

Deixa eu te explicar uma coisa: existe um negocinho que chama IP, que identifica o computador do qual vc escreve, manja? E tem uns programinhas, como o Sitemeter, que identificam IPs, local de acesso, tempo de visita, quantidade de páginas acessadas... Então eu sei, por exemplo, que vc fala do Rio de Janeiro, ghata. Sei também que seu IP não é novo por aqui, nem no blog da lu. ;)

Enfim, eu sugiro que vc troque de conexão quando for fazer comentários anônimos, pode ser um 3G ou o computador do seu vizinho (ele deve ter um, toca lá a campainha e pede com jeitinho). Mas não esqueça desse macetinho a cada vez que vc corajosamente quiser dizer algum desaforo sem se identificar, porque agora vc já aprendeu que os IPs vão sendo registrados aqui, néam?

Quanto à incoerência, sei do que se trata: o lingerieday. Olha, eu sei que doeu. Que o LD foi uma coisa feia, boba, machista, vergonhosa, pra v-o-c-ê. E que vc tá achando que é tudo igual: post do Marcelo Coelho, Lingerie Day. Tudo naquele boladão do patriarcado, néam? Mas enfim. A vida segue. Supera, mulher. Passou, passou.

saúde e alegria pra ti, viu... ghata!

Anonymous disse...

o cara realmente pisou na bola, mas sei lá, eu não sou tão radical de falar que não vou mais ler o cara.
Achei bonitinho: ´sai porque KISS´ , gracinha :)
bjs
madoka

aline disse...

ooooi madoka!

eu não leio a folha, mal conheço os colunistas. leio a carta capital só. eu não sei se eu pararia de ler um colunista que eu gosto depois de um texto desses, acho q dependeria do qto eu gosto do cara, do que ele escrevia antes. eu não gostei desse texto dele, é bem específico. achei esse texto machista, equivocado, e para por aí. o meu post é só tiração de sarro mesmo.


hahahaha eu adoro essa piadinha!

beijos beijos, querida!

Daniele disse...

legal seu post li, mas...

HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA

ou seja: pra fazer molecagem na internet tem que entender como ela funciona antes...

HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAA

aline disse...

Olha Dan, moleca a K. já não é faish teampo, tá ligada? hahahahahahaha

É, exato. Importante tomar uns cuidadinhos, se a intenção é falar abobrinha anonimamente. Dá mais trabalho, etc. De repente ela começa a ir na lanhouse pra usar os pseudônimos dela, sei lá.
Eu fico lisonjeada de saber que a K. veio aqui ontem três vezes, hoje já são duas visitas, e ela nem vem a partir de outro blog, ela tem o link guardadinho numa pasta dela mesmo. ouun.

Agora chega desse momento fifi, que é divertido, mas contraproducente. Tenho o mestradinho pra escrever. ;)

beijos sistá!

Julia disse...

Aline,

(Passei o dia inteiro debruçada numa tese em outra língua sobre um assunto absolutamente nada a ver, então me desculpe os lapsos no raciocínio e o texto porcamente e rapidamente escrito.)

Sou grande fã e admiradora sua e de seus textos, já comentei aqui algumas vezes. Gosto muito do Marcelo Coelho também, então pode ser que eu esteja tentando livrar a cara dele nessa. Mas a impressão que tive do post dele foi mais de uma confusão masculina, um atarantamento, diante dessas "novas mulheres" que outros séculos (quase) não conheceram.

Veja-se que, a julgar pela confusão do lingerieday, as próprias feministas não parecem ter chegado a um consenso sobre o que "deve" fazer a "mulher liberada" do séc. 21: tira ou bota o sutiã? fala grosso ou fala fino? Bota o dedo na cara ou pede desculpa antes de começar a falar? (para mim parece óbvio que todas essas soluções são válidas, individuais, e nem estou falando desse assunto aqui)

Eu acho que o texto do Marcelo foi, sim, mal-formulado e, portanto, mal compreendido. Mas pra mim, ao menos, foi interessante ver um homem crescido, estudado, refinado, admitindo estar perdido diante desse novo universo feminino com tantas variações possíveis e permitidas. Bateu uma sensação de poder, sabe? ;-) Beijos!

Anonymous disse...

a dona, além de burrinha, é velha? Hahahaha

aline disse...

Oi Julia

Puxa, obrigada. :)

Então, eu não duvido desse atarantamento masculino dele, mas minhas maiores pistas disso estão mais no pedido de desculpas e nas poucas respostas que deu aos comentários do que ao texto em si. O que eu achei machista no texto dele foi a afirmação de um modelo de feminilidade e a negação dos outros, ele diz isso, que a Marina, a Dilma não são femininas do jeito que os homens gostam. Essa generalização e caricaturização do desejo masculino, tomado como norma e ponto de referência para a aparência e comportamentos femininos, isso é machista.
Mas concordo com vc: ele tocou num ponto ainda frágil da discussão, uma vez que as próprias feministas, pelo menos na blogosfera, ainda não situaram alguns conceitos mínimos. O lingerieday mostrou essas fissuras aí com sobra.

ahahhahaha Adorei seu comentário sobre a sensação de poder.
Obrigada mesmo!

:***

aline disse...

Ai, Anônimo, não faça perguntinhas capciosas pra me botar numa saia justa, ainda mais na frente do pessoal que de-tes-ta as mulheres que atendem o chamado do patriarcado e exibem seu corpitcho!

Suponha vc o que quiser sobre a doce K., vc é livre, ainda mais se vc for homem. ;)

Julia disse...

Aline,

Eu concordo que o pedido de desculpas parecia confirmar esse ponto de vista. Mas até lá ele mesmo já tinha podido racionalizar a bobagem que, efetivamente, escreveu. Não tinha muito o que remendar, foi desastroso mesmo.

Mas pra mim o primeiro post continua a ser mais sobre a *busca* de um modelo que uma *rejeição* propriamente dita aos outros, que causam estranhamento (por mais que as *palavras* dele tenham expressado essa rejeição, não consigo tomá-las pelo valor de face).

Ao menos foi essa a reflexão que o texto me despertou, então parece que já serviu para alguma coisa!

(pequeno mea culpa: só comecei a refletir seriamente sobre feminismo depois de começar a ler você, a Lu e toda a patota, concordando mais ou menos aqui e ali... obrigada por isso! Opino pouco porque gosto de digerir muito...)

aline disse...

Julia,

o problema, a meu ver, é que essa *busca* por um modelo trouxe no bojo o modelo já estabelecido. Qdo ele diz que fulana "é delicada, doce, como um homem gosta que uma mulher seja", aí a coisa fica complicada. Pq esse modelo de mulher não é um modelo em construção, é justamente o modelo dado, vigente, que é preciso descontruir. Eu não quero dizer banir, entende? Nada contra mulheres que são delicadas, que usam os adereços todos. Nada mesmo. O que não pode acontecer é esse modelo pretender ser aquele que nos identifica como mulher, que define o que é e o que não é ser mulher. Que é o que ele propõe, intencionalmente ou não, no texto.

Não gostei das desculpas que ele deu, mas acho que já é alguma coisa. Ainda mais pra Folha, que nunca pede desculpas por nada.


Eu fico lisonjeada com o que vc dise, de começar a pensar certas coisas a partir da leitura desse blog. Que gostoso de ler isso, muito obrigada!

:***

aline disse...

... desse blog e de outros, claro. hahahahaha

tou si achando já! :P

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