4.9.09

da droga do bom comportamento

"a noção de respeitar e fazer-se respeitar tende a seguir essa lógica: uma mulher tem que escolher (na medida que lhe for possível) em qual universo ela existirá (senão em tempo integral, na maior parte do tempo): o vulgar, em cujo balaio são jogados sem muita hesitação os bailes funks, as dançarinas de axé, as mulheres frutas, as revistas masculinas, a pornografia, o sexo descompromissado, as roupas curtas, a oralidade e a simplicidade, os costumes degradados (inclusive o estupro, como se ele fosse uma consequência do suposto crescimento desse conjunto de coisas)... ou o sublime, que se ocupa tão somente das ideias, do pensamento, da argumentação, da escrita, dos relacionamentos socialmente consolidados, da arte, das ciências, das teorias, da complexidade, da conscientização e politização. Ou seja: há quem se debata contra o universo da "vulgaridade" como se fosse ele por excelência (quando não com exclusividade) o campo em que o machismo surge e se fortalece. Essas pessoas acabam, muitas vezes, reproduzindo preconceitos bastante cruéis e arrogantes, oriundos de uma mentalidade nociva e moralista, na qual elas mesmas estão inseridas e eventualmente são vítimas."
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Eu escrevi o post anterior sem sequer pensar na professora que foi demitida por ter sua imagem dançando divulgada no Youtube. Mas é impressionante como se encaixa, como o olhar sobre o popular e o erótico é estigmatizante. Ela foi demitida por uma atividade que não tem nada a ver com sua profissão. Nada. Ela teve que se mudar, ela perdeu a casa. Se isso não é o machismo, em sua expressão mais avassaladora, eu não sei o que é. Um vídeo de poucos minutos põe a perder a carreira dela, sobrepõe-se ao diploma e à pós-graduação na área. Subir num palco e mostrar a bunda em seu horário de lazer desqualificou completamente sua competência pedagógica, sua capacidade de alfabetizar uma criança, de distinguir valores a serem transmitidos.
Fosse ela médica, arquiteta, faxineira, prostituta - alguém pode dizer - nada disso teria acontecido. É perfeitamente possível dançar funk e limpar o chão no dia seguinte, mas dançar funk e ensinar o alfabeto, ou explicar que não se deve bater no coleguinha, não. O problema é justamente ser professora, parece. Isso me preocupa porque demonstra o quão equivocados somos em relação ao papel dos educadores. Professor, no Brasil, tem que ser uma espécie de missionário. Ele tem que ser professor 24 horas por dias, toda sua alma tem que ser dedicada a isso, é uma questão de profissão de fé, de entrega e paixão (e do jeito que ganhamos mal, tem que ser uma coisa assim irracional mesmo). Então se você escolhe ser professor(a), você faz uma espécie de voto tácito de boa conduta (mesmo fora e distante do ambiente de trabalho), de não-dança-do-enfiado. Para o professor, o código civil, o código penal e os dez mandamentos não bastam, há que se ter mais bom senso e discrição que todas as outras pessoas, inclusive os pais, porque você passará horas com crianças e adolescentes e será uma referência pra eles. Então a vida privada, os gostos, a diversão, tudo isso deve existir dentro de um limite. Só não procure padres católicos para saber como se divertir, posto que eles andaram perdendo a linha com as crianças.
O caso me preocupa também porque indica o quão arrogantes somos em relação às manifestações culturais populares e/ou marginais. Eu entendo uma pessoa não gostar de pagode, de funk, de axé. Mas não ouvir, não dançar, enfim, não gostar desses gêneros musicais ou de suas respectivas danças é uma coisa, rejeitar e não gostar das pessoas que gostam disso é outra. Confundir um e outro implica que tudo o que eu aprovo é bom, e tudo o que eu rejeito é ruim, e que aqueles que gostam de coisas que eu considero ruins são incapazes de distinguir o bom do ruim e portanto, incapazes de transmitir valores aos meus filhos. Criticar uma pessoa simplesmente por gostar de funk, ridiculariza-la, desqualifica-la a ponto de concordar com sua demissão, questionar sua inteligência por conta de bagagem cultural dela é universalizar seus próprios gostos e parâmetros, e nós sabemos como o preconceito costuma andar de mãos dadas com essas universalizações. A demissão dessa moça (e o assédio que se deu por conta da demissão) indica que há valores morais que ela não é capaz de ensinar às crianças, ou, pior, que há valores que ela necessariamente transmitirá - mas eu me pergunto quais, exatamente. Será que a professora estimulará a vulgaridade e a promiscuidade entre os pequenos - já que é isso que deduzimos de uma mulher que dança a Dança do Enfiado? Será que seu "indiscutível" mau gosto musical denuncia sua inaptidão profissional? Será que indica mau-caratismo? Se na entrevista admissional tivessem lhe dito que mulheres que dançam funk não podem ocupar o cargo, seria ok? Se ela fosse filmada num culto pentecostal que incitasse a intolerância contra religiões africanas, teria sido demitida e perderia a casa? Se fosse um homem gay dançando com um striper numa boate em São Paulo, a opinião pública se posicionaria da mesma forma?
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Perguntas, perguntas. Eu me lembro do incrível vídeo de Tom Zé falando sobre a música Atoladinha no Jô Soares. Lembro também de um professor meu, num curso de introdução aos estudos literários. Ensinou-nos sobre forma e métrica do poema com "Um tapinha não dói". Não esqueço: dÓi/um/ta/pi/nha/não/dÓi/um/ta/pi/nha/não/dÓi/um/ta/pi/nha/não/dÓi/só/um/ta/pi/nhA... Não sei se ele ouve essas músicas no carro, mas acho improvável que frequente bailes funks. Creio que o intuito era abrandar um pouco a arrogância do aluno recém-ingresso na Mater Universidade. E como ria este senhor da cara indignada de alguns alunos. Porque métrica e formas clássicas são coisa de Camões e Homero, nunca de MCs e cachorras. Eu ria também. Rio ainda. Terminamos o curso lendo poemas de Baudelaire, com a sala mais vazia do que quando começou o curso. Ainda bem que os cargos públicos protegem as pessoas do tipo de preconceito e autoritarismo que atingiu aquela professora. Continua sendo professor lá, e dos melhores.

Adendo: A Emily deixou um comentário tão bonito. Merece demais ir pro corpo do post. Obrigada de novo, Emily.

Sobre essa pendenga aí não tenho acompanhado muita coisa além da reação do povo daqui de Salvador. Tô adorando tudo que eu ouvi até agora, muita gente reparando que o povo dança o ano inteiro,mas se é professora não pode, muita gente sacando que Jaqueline ganhava um salário bem mais sem vergonha do que dançar todo enfiado por aí. Gosto mais pq não é conversa de academia nem de corredor de faculdade, mas conversa de pedreiro, de buzu, de dona de bar q assiste Bocão. Vamo vê que bicho vai dar, pq ainda vai dar.
Mas essa história de criança entortar na vida pq ouviu pagode,funk e axé é a coisa mais desavisada do mundo.Eu cresci e fui educada na ilha de Itaparica, dancei ‘rala o pinto, rala a tcheca’, “ ta coçando, ta cheirando’ e toda sorte de trocadilhos e obviedades sexuais do mundo.Ia em todos os pagodes e reggaes, decorava os passos e ensinava pras minhas tias, sabia todas as letras mesmo das músicas recém-lançadas com o aval e acompanhamento dos meus pais.Nem por isso eles deixaram de me apresentar (ou de me ensinar a gostar de) Chico, Caetano, Bethânia, Gil. E forró, brega, sertanejo, seresta, rock, pop blábláblá.

Não resultei numa pessoa refinada e inteligentíssima, mas tenho 22 anos, nunca engravidei, nunca achei normal q um homem violentasse uma mulher, sou militante feminista, logo terei um diploma de historiadora e até pago minhas contas em dia. Sou bem limpinha mesmo. Igual a meus amigos itaparicanos. Nosso único problema é gostar de muita coisa e não ter dinheiro e tempo pra acompanhar tudo.

Por fim registro q Fantasmão, Parangolé (bandas de Pagode daqui), Ilê Ayê, Carlinhos Brown, Araketu, Gerônimo e vários outros cantores e compositores desses 20 e poucos anos de Axé tem em sua obra manifestações de resistência ao racismo, à intolerância religiosa, ao machismo, à homofobia etc. Não precisa gostar por isso, mas precisa saber q não é só rebolação, assim como no funk não é. Só pra ilustrar mesmo.

Falei demais,hein? hehehe, vamos em frente. Bj ;]

43 pessoas pararam por aqui:

Srta.T disse...

Eu não vi o vídeo e nem faço muita questão de ver. Concordo contigo que o que fazemos em nossas horas livres em nada deveria interferir em nossa profissão.
No entanto, uma coisa que me assusta muito é quão cedo tem começado a sexualização (é esse o termo correto?) das crianças. Acho cruel meninas se tornarem mães aos 15 anos, brigarem por causa de namorados aos 10. Não sei dizer se a professora que dança funk pode se encaixar em um dos fatores que causam esse comportamento, se a culpa é da Xuxa ou da Kelly Key. Por mais atenciosos que sejam os pais, você não enfia a criança em um buraco e a priva do bombardeio de informações externas, e não se pode garantir o efeito delas sobre um humano em formação.
Como vou ser com meus filhos? Tenho até medo de saber, mas eu gostaria tanto que eles ouvissem funk quanto gostaria que fossem ao catecismo e ouvissem toneladas de bobagens preconceituosas e elitistas. E não pretendo criá-los em um buraco. Então não tenho ideia do que fazer.

Luisa disse...

Isso é realmente alucinante! Pode me mandar o link dessa notícia, se é que foi publicado em algum lugar? Adoraria ler isso..
______________________________
Tenho a convicção de que há uma incoerência crescente nos nossos valores e esta se faz mais nítida a cada dia que passa, como se houvesse um processo contínuo de "imbecilização coletiva".
Aliás, só a idéia que está detrás da palavra 'valores' chega a ser confusa hoje em dia.

Suzana Elvas disse...

Srta T;

Quando trabalhava em jornal uma das matérias que fiz foi exatamente sobre gravidez na adolescência nas escolas públicas. E o que eu descobri conversando com elas é que, do mesmo jeito que engessar o braço era cool na minha época, frequentar escola grávida dá status, por mais absurdo que pareça. Ela é "mulher" numa turma de pirralhas. Já tem seu "homem". Já é adulta.

Detesto funk e fico uma arara quando as crianças voltam pra casa cantando letras de músicas que provocam exatamente perguntas tipo porque a música é Dança do Enfiado. Cantam sem saber - e depois como explicar? Essa do "tapinha não dói" é clássica, porque elas presenciaram violência doméstica - então o pai surrar a mãe pode?

Tudo é questão de bom senso - o que não é o caso da demissão dessa professora. Vi outras entrevistas com ela e percebe-se que o caso é de tal nível de nonsense (um medo de contaminação?) que ela mesma não sabe mais o que dizer. E o que sobra é uma profissional de educação que agora tem que não apenas vigiar os alunos, mas também a si mesma.

aline disse...

Srta T, o vídeo não decepciona: é tudo o que estão dizendo que é.

Sobre a sexualização, eu penso o seguinte: a noção de adolescência é muito, muito recente. Nossas bisas e avós passaram direto de crianças a mulheres, era completamente normal uma menina de 15 anos se casar, geralmente com um cara mais velho. Eu não sei sequer se minha mãe foi considerada adolescente, se existia esse conceito tão bem definido, esse olhar sobre uma fase do desenvolvimento físico e emocional. Tudo isso pra dizer que a sexualização de meninas novinhas não está começando agora, está acontecendo de maneira diferente. Hoje um cara que transa com uma menina de 14 anos é um criminoso, entende?
Mas sim, concordo que temos um problema com isso. Eu me preocupo especialmente em saber que a curva da maternidade, no país, começa com meninas de 8 anos, por exemplo. Essa sexualização das crianças e adolescentes tem vários aspectos, e a pedofilia é sem dúvidas a mais grave. Quanto às meninas quererem namorar, maquiar-se, vestir-se como adultas, eu acho que isso quem controla são justamente os pais. Por melhor que seja a escola em que a criança está, é dentro de casa que ela vai receber os estímulos mais fortes. Então se os pais não gostam de funk, não acham que é adequado dançar axé (e tem pais que não ligam, veja bem), eles vão ter de lidar com isso, assim como terão de lidar com os estímulos consumistas de uma criança hoje, assim como terão de controlar as horas no computador e o uso do celular. Cada geração apresenta seus problemas quanto à educação, à inserção na cultura. E sempre são os pais quem mais terão de lidar com as balizas de certo e errado, porque as músicas e os comportamentos estão aí, acessíveis em todas s mídias e as crianças são abertas a tudo.
Claro que os professores tem participação nisso. Mas aquela professora não fez nada, poxa. Ela não traficou drogas na sala de aula, ela não dançou pras crianças. Ela se ferrou totalmente porque alguém a filmou e jogou na net. E eu me pergunto como e porque as crianças tem acesso àquele vídeo, já que ele é impróprio pra crianças. Ou seja, a escola e os pais receiam que as crianças vejam o vídeo e sejam influenciados, como se não houvesse possibilidade de controle do que as crianças veem na internet. Se vc deixa seu filho livre na frente do computador, ou se não se preocupa em explicar pra ele o que é certo e errado, etc, esse video aí é café pequeno. Não tem cabimento a dança desqualifica-la, não tem cabimento as pessoas pressuporem que ela é má influência pras crianças baseada em algo que ela fez num espaço adequado.

:***

aline disse...

Luísa,

Tem um link na palavra 'professora' (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1284085-5598,00.html) e é apenas um deles. Isso aí foi noticiado mundialmente.

Eu não acho q seja imbecilização coletiva, não, eu acho que é crueldade mesmo. Botar essa mulher no olho da rua, obriga-la a entregar a casa e destruir a vida que ela estava conquistando é crueldade. Ela não fez nada pra ser demitida. Vc disse tudo: ela vai ter que controlar a si mesma. Esse tipo de coisa só Orwell explica.

:**

aline disse...

Suzana,

"Quando trabalhava em jornal uma das matérias que fiz foi exatamente sobre gravidez na adolescência nas escolas públicas. E o que eu descobri conversando com elas é que, do mesmo jeito que engessar o braço era cool na minha época, frequentar escola grávida dá status, por mais absurdo que pareça. Ela é "mulher" numa turma de pirralhas. Já tem seu "homem". Já é adulta." - já se sente adulta, né? Não é adulta. Gravidez na infância e adolescência é grave, é complicado. Por isso eu sou a favor de educação sexual nas escolas, de uma abordagem direta sobre o assunto.

"Tapinha não dói" não é sobre violência doméstica. Não é a esposa que apanha do marido porque ele tá bêbado e ela é saco de pancada, é a mulher que transa com um cara e pede pra ele dar um tapa nela, porque ela está excitada e curte isso. São situações muito diferentes, e ambas inadequadas pra crianças e adolescentes.

Eu concordo totalmente com esse "medo de contaminação" q vc mencionou. Parece isso mesmo, e é absurdo.

D Flesch disse...

Aline, também não assisti o vídeo, só soube da notícia e concordo plenamente, me pergunto quando vamos largar mão desse machismo e de tantos preconceitos velados?
Já viajei muito pelo mundo e nunca, nunca mesmo senti tanto preconceito como aqui no Brasil, só que agente finge que não é, que não pensa...
Lamentável!

aline disse...

Ih, D Flesh, largar mão é difícil pq esse machismo não é um acessório, ele permeia nossa cultura. A dificuldade em lidar com ele é essa, que ele faz parte das identidades, dos relacionamentos. Pra se livrar disso, é um exercício de desconstrução, de reinvenção mesmo. Que vai a passo de formiga, que exige esforço, crítica, etc. Mas é preciso fazer, né? A batata quente tá na nossa mão, então é preciso lidar com ela.

Suzana Elvas disse...

Aline, eu sei em que contexto "Tapinha não dói" está. Mas minhas filhas ouvem e não entendem. E pra elas QUALQUER tapinha dói. Violência é violência, e só. E, como você disse, independentemente do que trata a letra eu não quero ter que explicar ambas as situações para minha filha de 8 anos, que ainda acha que a gente vai pro céu, quando morre, num balão, e que os bebês entram na barriga das mães pelos umbigos.

Quanto à gravidez na adolescência, o que eu disse é justamente isso. Que é um sério problema mais ainda porque ele é encarado como uma maneira de você ter ascensão social - é a doideira de ser popular porque engravidou. A garota é adulta entre suas iguais na cabeça DELA, porque ela tem seu homem. Vai ser mãe. E conversando depois com assistentes sociais da Abrapia, o depois é igual ao "meu mundo caiu". Ser mãe não é (obviamente) NADA o que elas imaginaram. Todo o status a que foram elevadas quando estavam com o filho na barriga desaparece quando ela dá à luz; a discriminação é total. Se no início é novidade, depois passa a ser entrave. E o resultado é uma multidão de avós voltando a ser mães.

Haline disse...

Ontem estávamos conversando isso aqui no trabalho, que o preconceito contra o funk é de classe social mesmo. Pq é música de “pobre”. Nenhum outro argumento é válido. Temos registro de vulgaridade, misoginia e agressividade também na literatura e músicas consideradas boas. Outra coisa, meninas que ficam grávidas muito cedo, isso é coisa de quem vai a baile funk? Bem, tenho inúmeras amigas que ficaram grávidas antes dos 15 e tiraram. Coisa de “pobre” é não poder contar com um sistema de saúde que te ofereça o aborto como opção. E mais, violência e drogas são coisas de baile funk?? Ah, só rindo. Os últimos casos de violência, morte e drogas foram registrados nas boates caras e repletas de mauricinhos. Fora as distorções como no caso do “tapinha não dói” que vc até cita numa das respostas. No filme infidelidade pode bater pq é sexo. Na música dos “pobres’ é violência doméstica. To pra ver um argumento contra o funk que não passe pelo preconceito social mesmo.

Sobre a mulher classificada e demitida por motivos que não tem nada a ver com a sua competência, qdo eu li, não consegui ver novidades. Talvez por não morar numa cidade grande ela ficou sendo mal vista, mas o fato de ter sido demitida, nossa, isso é tão comum. Deixo dois, entre muitos que poderia citar:

1.Numa festa de fim de ano na empresa em que eu trabalhava, eles contrataram um animador que era mutcho louco. Daí o cara lá pelas tantas propôs um concurso de dança em casais, com uma música qq que falava bastante de sexo. Eis que uma menina que dançava com um gerente se empolgou e a alça do vestido dela soltou, um acidente, e um seio ficou a mostra. Foi a piada do dia seguinte. Foi alvo de comentários maldosos. E ... ela foi mandada embora.

2.Quando eu entrei nessa mesma empresa eu era estagiária e namorava um carinha tb estagiário. Ele tinha uma tatuagem, uma índia imensa nas costas. Daí que no churrasco de fim de ano todo mundo encheu o saco pra ele entrar na piscina, aquela coisa pós futebol. Sim, pq só os homens entravam na piscina, as mulheres não queriam ser “olhadas” (leia-se: comida com os olhos, comentadas no dia seguinte e etc). Todo mundo viu a tatuagem. Todo comentou achando estranho pq ele não tinha cara de ter tatuagem. E todos os estagiários foram efetivadas, inclusive eu e ele não.

aline disse...

Concordo com tudo, Suzana. Nem a violência doméstica nem as taras sexuais são assunto pra uma criança de 8 anos. E por isso eu acho que seu papel, como mãe, inclui filtrar isso aí. Pq não é hora de ela aprender sobre isso, sobre nenhum tipo de tapa: seja o violento, seja o fetiche.

Minha sogra é pediatra e trabalha num posto de saúde numa comunidade pobre, inclusive com saúde da família. Meu pai trabalha numa escola pública e minha mãe numa creche de idosos. Os três conhecem casos como esse q vc descreve. De meninas que querem ser mães, inclusive de traficantes, para garantir a ascenção social dentro do grupo. Alguns pais dessas meninas apoiam, outros não. Eu não vejo como lidar com isso, senão pela educação sexual. E aí a gente entra num labirinto sobre o papel da escola na vida dos joves da periferia, direitos reprodutivos, questões familiares e financeiras (ainda que adolescentes grávidas não seja um problema exclusivo das classes baixas). De todo jeito, culpar o funk e as danças sensuais pela sexualização das crianças é passar raspando só, além de estigmatizar manifestações culturais e artísticas válidas e legítimas. (Que fique claro: não estou dizendo que vc está fazendo isso, é um comentário geral esse)

aline disse...

Haline,

Na cidade dos meus pais, a maioria da molecada ouve funk. Tive amigos funkeiros, eu mesma fui a um ou outro baile funk na adolescência. É um gênero musical que fala de violência policial, de racismo, de perspectivas, de criminalidade, de sexo, de luta de classes. Temas que compõem belos trabalhos de sociologia. Como disse o Tom Zé, a funkeira que canta que está atoladinha e simula o gozo na música declara mais liberdade sexual que muita mulher moderna.
Como eu disse, uma coisa é não gostar do gênero, outra é não gostar de quem o produz/aprecia. Mesmo no caso dos pagodes e axés, que não são manifestações de resistência (como o funk é capaz de ser). Eu não gosto e não ouço nenhum desses gêneros hoje, mas eu sei que gostar e ouvir não implica em nenhuma degradação moral, em falta de respeito (por si e pelos outros), em falta de inteligência e capacidade. Todo o post anterior serve: é impressionante ver que os argumentos que execram esses gêneros são permeados de moralismo, elitismo e preconceito. Os poemas de Safo são obras clássicas, assim como Gregório de Matos e Bocage, o Cântico dos Cânticos é uma parte da bíblia que contém poemas eróticos. Existe dança do ventre, que é altamente sensual, além do tango e outras modalidades de danças. Como vc disse, a literatura universal contém personagens e situações violentas, opressoras, e é inquestionavelmente arte de qualidade. É preciso se perguntar por que este gênero ou aquela obra são tão mais degradantes que outros. Nossas implicâncias nunca estão isentas de um toque de preconceito.

keila lima disse...

...penso que os professores são exemplos mesmo só que de inteligencia e cultura e "PONTO", é relevante pensar, que ninguém se torna um cientista famoso porque teve um professor bom... mas parece que os exemplos ruins que são seguidos sempre. DE qualquer forma, uma professora ter um video no qual ela dança e acharem isso um abusrdo é ridiculo, já que (como vc disse) ela tem uma vida e pode fazer dela o que quiser....
Mas esse tipo de coisa acontece num país como o nosso... que 01 vez por ano tem o carnaval, onde tudo é permitido e o resto do ano zelamos pelo bom comportamento e pela moralidade (RIDICULO ISSO)...

Particularmente eu não gosto de funk, eu acho vulgar e a intenção é ser mesmo! A questão de liberação sexual, eu acho importante que haja, em todos os cantos as pessoas e as tribos se expressando culturalmente...
Afastar uma professora de suas aulas não vai impedir que uma menina faça nada, afinal, hoje o ultimo lugar onde se aprende "Porcaria" é na escola, temos a TV a internet e até mesmo os exemplos dentro de casa (com tantas familias desestruturadas).

Eu acho que cada um deveria trabalhar como um super heroi, sem ninguem saber quem é, assim a sua vida pessoal seria mais preservada e se poderia viver tranquilamente com suas expressões culturais favoritas....Sejam lá quais forem...

Suzana Elvas disse...

[vergonha]E eu aqui, revisora, reconheço: aos 43 anos, ainda não sei escrever "ascenção" - sempre acho que o certo é com "s".[/vergonha]

aline disse...

Keila, eu morri de rir com sua ideia: "Eu acho que cada um deveria trabalhar como um super heroi, sem ninguem saber quem é, assim a sua vida pessoal seria mais preservada e se poderia viver tranquilamente com suas expressões culturais favoritas."

No mais, vc tem razão: é moralismo mesmo.


Suzana, ascensão é com s, eu que escrevi errado. As professoras que me alfabetizaram deviam ser funkeiras.

Fernanda Mendes disse...

Oi,

É a primeira vez que participo deste blog e queria dizer que gostei muito do seu post. Elé é muito interessante pq levanta uma série de questões, entre as quais o respeito com o outro. Além do machismo e do preconceito de classe,enxergo no episódio da professora uma tremenda hipocrisia, uma vez que as mesmas pessoas que julgaram a moça são aquelas que acham lindo uma criança de 02 anos dançar na boquinha da garrafa e/ou ser hiper estimulada com informações e comportamentos inadequados para a sua idade. Pessoas estas que tb que ridicularizam o feminismo e qualquer tentativa de se trazer a questão de gênero para o debate.
Além do mais,até parece que todo mundo é santo..ninguém faz nada. Isso me lembra os casos de vídeos de sexo que são divulgados por ex-namorados e as mulheres são massacradas em virtude de transarem. Ora,ninguém faz nada disso?
É muito puritanismo e hiprocrisia na minha opinião....
Por fim, cabe destacar que ninguém questionou a letra da música...e a banda o Troco está bombando aqui em Salvador....
Fernanda

Fernanda Mendes disse...

Somente a moça foi condenada e a banda tá aproveitando bastante a polêmica.

Fernanda

aline disse...

Oi Fernanda, obrigada.
A hipocrisia daqueles que criticam é uma coisa que a gente não tem acesso de verdade, eu acho. É possível que alguns dos que falam mal da professora gostem de axé, ou deixem os filhos dancarem, ou desfilam no carnaval. Tudo isso é suposição nossa. E mesmo que alguém não faça nada disso, que seja absolutamente recatado e obedeça às normas de conduta que prega, isso não significa que esse alguém tem o direito de apontar o dedo pra Jaqueline (a professora). É justamente essa a questão, que essas críticas, essa demissão, nada disso procede, não deveria existir, independente se quem as enuncia tem "moral" ou não pra julga-la.

Bjo

aline disse...

Quanto à banda, eu não vejo exatamente por que ela deverias er condenada. Por causa das letras ruins? São letras que incitam à violência, ao crime, á intolerância, ao ódio? Porque se não for, a banda não está fazendo nada de errado, está produzindo música de acordo com os gostos de umg rupo (grande) de pessoas. Não vejo mesmo pq a banda deveria sofrer algum tipo de recrminação, assim como não vejo motivo pra professora ser avacalhada desse jeito.

Daiane disse...

posso ser franca? acho q eh muita demagogia de sua parte. se pagode e funk são expressões artisticas tão validas quanto qualquer outra, então imagino que vc vai ensinar seus filhos a gostar delas?
eh como se não tivesse diferença entre "tudo enfiado" e "olhos nos olhos". esses grupos de pagode,axé, fazem qq porcaria que vende pq esse país é assim, pra fazer sucesso tem que ser bem vulgar, tem que ter mulher rebolando, mas dá dinheiro fazer o q.
Na hora de criar os seus, quero ver se essa conversa de tudo é arte vai durar.

Fernanda Mendes disse...

Bom, quando falei da letra da banda e questionei pq ninguém a criticou é no sentido do que ela representa para a degradação da mulher. Ou seja, qual a estrutura que está por trás destas músicas?
É mais fácil criticar a moça do que pensar nas letras e no conteúdo que nos é repassado pela música, cinema , literatura etc. Sinceramente, acredito que a letra pode não incitar a violência e o ódio explicitamente, mas que ela objetifica a mulher , isso a música faz. Obviamente não posso usar a música como bode expiatório....mas não a vejo como algo inofensivo não.
Concordo com vc qd diz que ninguém tem o direito de avacalhar a professora, independente de seguir ou não a "moral e os bons costumes", mas,contraditoriamente ou não, as pessoas se utilizam bastante da questão moral para justificar a avacalhação da moça...

Não sei se ficou claro, mas enfim...é isso.

bjs

aline disse...

Oi Daiane.

Obrigada pela franqueza. Espero que goste de respostas francas tbm.

Vamos por partes. Eu não vou "ensinar meus filhos a gostar" de pagode pq eu mesma sou incapaz. Não gosto, sabe. Mas não é pq eu não gosto que significa que esse gênero não deva existir e que as pessoas não devam gostar dele. Se um filho meu começar a gostar dessas músicas, certamente não serei eu a proibir. Ce acha que eu estaria sendo muito mole?

Entre "tudo enfiado" e "olhos nos olhos" há trocentas diferenças: tema, letra, melodia, gênero, público-alvo, artista, época. Mas uma coisa elas tem em comum: foram feitas pra compor um álbum a ser comercializado, e renderam dinheiro pros artistas e produtores responsáveis. Ou vc acha que o Chico fazia músicas de graça?
Essa "conversa de tudo é arte", nossa, ela dura séculos já. Foram escritos vários livros de filosofia, de estética, de história da arte, e a definição de arte nunca encontrou uma fórmula perfeita, sabe. Não há consenso, não há acordo entre os critérios de avaliação... vai dizer que vc conseguiu? Encontraste uma definição perfeita pro que é arte e pro que não é? \o/
Só não me decepcione e diga que arte é aquilo que vc gosta, mesmo que seja por coincidência ou pq vc teve o privilégio de ser apresentada às grandes obras universais. Vai pegar mal.

aline disse...

Fernanda, nesse ponto não concordamos. Porque exatamente a letra da música é degradante pras mulheres? Talvez eu não tenha ouvido a música inteira. Ela faz apologia à violência contra a mulher, incita o estupro, o espancamento? Se for o caso, eu concordarei, é degradante, é criminoso até.

Agora, quanto à objetificação, não está claro isso. Por que a mulher é objetificada na música, ou pela música? O que exatamente na letra, ou na coreografia, leva a essa objetificação q vc menciona?

bjos

Daiane disse...

Difícil conversar assim. É impossível estabelecer critérios desse jeito. Nem tudo é bom, oras. Nem tudo deve ser feito só pq dizem que é arte. Sim, eu sei que a definição de arte é variável, mas eu realmente gostaria de saber se vc chama "tudo enfiado" de música, do mesmo jeito que chama uma sinfonia do Beethoven ou uma canção do Noel Rosa. Tudo é música pra vc?

aline disse...

Mas Daiane, peloamor. Claro que existem critérios. Eu escolho o que eu ouço baseado nos meus critérios de bom ou de ruim. Óbvio isso aí. Só que eu não tenho a pretensão de dizer que apenas que aquilo que eu ouço é bom, e ponto. Eu não acho as musicas de pagode e axé boas, são uó, chatas, barulhentas e repetitivas. Mas eu ouso respeitar quem gosta. Respeito as pessoas, as escolhas e gostos delas, como poderia ser diferente?
Não sou especialista em teoria musical. Mas imagino que tomando uma definição bem ampla, bem genérica de música, "tudo enfiado" seja música sim, tanto quanto qualquer outra peça que envolva melodia e sei lá mais o que. Inclusive músicas folcloricas, cantigas e etc. Pagode não é música pra mim, eu não gosto e não ouço, mas nunca que eu desqualifico algo só pq eu não gosto. Pq se for assim, se a régua é o meu umbigo, apenas um grupo muito restrito de gêneros e obras serão considerados música.
Pra mim, não funciona.

Emily Laurentino disse...

Sobre essa pendenga aí não tenho acompanhado muita coisa além da reação do povo daqui de Salvador. Tô adorando tudo que eu ouvi até agora, muita gente reparando que o povo dança o ano inteiro,mas se é professora não pode, muita gente sacando que Jaqueline ganhava um salário bem mais sem vergonha do que dançar todo enfiado por aí. Gosto mais pq não é conversa de academia nem de corredor de faculdade, mas conversa de pedreiro, de buzu, de dona de bar q assiste Bocão. Vamo vê que bicho vai dar, pq ainda vai dar.

Mas essa história de criança entortar na vida pq ouviu pagode,funk e axé é a coisa mais desavisada do mundo.Eu cresci e fui educada na ilha de Itaparica, dancei ‘rala o pinto, rala a tcheca’, “ ta coçando, ta cheirando’ e toda sorte de trocadilhos e obviedades sexuais do mundo.Ia em todos os pagodes e reggaes, decorava os passos e ensinava pras minhas tias, sabia todas as letras mesmo das músicas recém-lançadas com o aval e acompanhamento dos meus pais.Nem por isso eles deixaram de me apresentar (ou de me ensinar a gostar de) Chico, Caetano, Bethânia, Gil. E forró, brega, sertanejo, seresta, rock, pop blábláblá.

Não resultei numa pessoa refinada e inteligentíssima, mas tenho 22 anos, nunca engravidei, nunca achei normal q um homem violentasse uma mulher, sou militante feminista, logo terei um diploma de historiadora e até pago minhas contas em dia. Sou bem limpinha mesmo. Igual a meus amigos itaparicanos. Nosso único problema é gostar de muita coisa e não ter dinheiro e tempo pra acompanhar tudo.

Por fim registro q Fantasmão, Parangolé (bandas de Pagode daqui), Ilê Ayê, Carlinhos Brown, Araketu, Gerônimo e vários outros cantores e compositores desses 20 e poucos anos de Axé tem em sua obra manifestações de resistência ao racismo, à intolerância religiosa, ao machismo, à homofobia etc. Não precisa gostar por isso, mas precisa saber q não é só rebolação, assim como no funk não é. Só pra ilustrar mesmo.

Falei demais,hein? hehehe, vamos em frente. Bj ;]

aline disse...

Emily, eu gostei tanto so seu comentário, tanto! Muito obrigada mesmo. Tá lindo! Nem tenho nada a acrescentar, só dizer que assino embaixo. Sobretudo a parte de as bandas de axé tbm irem a favor de causas importantes. Vc tem toda razão.

Fale tantas vezes vc quiser, viu?

(ô saudade de Salvador...)

beijos beijos!

Iara disse...

Nossa, não conhecia essa entrevista do Tom Zé. Sen-sa-cio-nal. E o Jô tentando ridicularizar o cara.

Escrevi dois comentários durante o dia (um dia, aliás, em que eu deveria ter trabalhado horrores), mas perdi, achei que ficaram ruins, sei lá. O fato é que eu não gostei. Mas depois da Emily...

Já ouviram aquele verso de funk que diz "é som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado"? Tem um amigo que diz que isso é aula de sociologia, e acho que tem razão, viu?

Fato é que eu não gosto dessas letras apelativas. Fico constrangida, até. Uma vez, no Favela Chic em Paris, com um monte de amigos estrangeiros, começa a tocar a seguinte pérola: "mama que eu tô carente, mama que eu tô carente, só não vale usar o dente". Os gringos pediram pra gente explicar. Cara, como? Falei que era uma referência ao sexo oral. Fiquei muito sem-graça...

Mas nega isso, tirar disso o status de uma expressão cultural legítima, se equivale a dizer que "o pobre não fala direito". Em Sociolinguística a gente aprende que todo falante nativo do português é um falante competente do idioma. O problema é que seu registro é limitado. E aí associo a música, porque não posso achar que as pessoas tem obrigação de produzir algo a partir das minhas referências. Eu não gosto, a line falou que também não gosta. Não tenho ilusão de ter um super poder sobre meus filhos, mas sei que vão herdar algumas das minhas referências, lógico. Provável que herdem gostos, mas não é garantido.

E me pego pensando em quanto a música pop americana, em especial o funk, tem letras tão apelativas quanto, mas tem uma grana de produção altíssima pra embalar aquilo num gosto mais burguês. Manjam 50 cent? Tem um produtor mais bacana que os caras do funk, por isso tá na MTV e não é "proibidão".

Daí eu pensei que eu não posso ser injusta e dizer que, por que o cara tá no morro, só vai produzir o que não é aveito. O Cartola, por exemplo, é aceito nas rodas do "bom-gosto" (eu AMOOOOO o Cartola).

E finalizando, concordo que é "umbigocracia" achar que toda e qualquer manifestação cultural deve se enquadrar nos padrões de acadêmicamente aceitos como "arte".

aline disse...

Eu amo essa entrevista dele, aliás eu amo o Tom Zé. O tipo do cara que eu admiro mesmo, que eu acho q vale a pena.

Muitos funks, raps, etc são muito interessantes. Eu lembro qdo ouvi pela primeira vez diário de um detento, antes de a MTV descobrir os Racionais. O efeito da música deles em mim é semelhante ao de um bom filme. A gente aplaude Cidade de Deus, Tropa de Elite, Estamira, há um reconhecimento mais ou menos sólido dos Racionais, mas no geral as pessoas querem o recorte só. Quer a parte da resistência que é mais evidente, que fala de conflito social (porque sobre isso a gente ouve e discute, etc etc).

Toda a parte sexual, apelativa, explícita das músicas, elas vem no bojo da bagagem cultural desse grupo. Eu acho que o estranhamento deveria ser similar ao de ouvir falar de tiroteio, de prisão, de morte, mas em relação ao sexo a gente parece ter mais resistência.

Concordo plenamente sobre o Cartola. Ele caiu nas graças da classe média, e eu queria muito fazer post sobre isso, sobre a aceitação de certas obras que procuram retratar uma realidade completamente diferente da nossa e acabam estetizadas. Que tem coisas boas e ruins nessa assimilação nossa. Adoro esse assunto.

Ficou meio confuso o comentário, ams dá um desconto, tá tarde! :D

beijos, Iara! :D

Dani disse...

[gargalhadas] Ow, Li, erro crasso de português, heim? É o auge da decadência trocar S por Ç na ascenção, ops, ascensão.... kkkkkk
[/gargalhadas]

aline disse...

ahahhahhahahahah

Ai, Dan, quase morro de vergonha, jogo meu diploma no lixo e me penitencio diante da imagem de São Pasquale dos Analfabetos... ;)

Mas é um erro comum, veja que Suzana, que é revisora profissional, tbm vacilou, e já foi achando que ascenção, ops, ascensão é com ç. Olha o perigo, menina!

hahahahahahahahahah

Agora para de pentelhar e vai cuidar da tua vida, garota. Ah, se eu tivesse dinheiro pra ir pra São Paulo e dar na tua cara, sua futriqueira! hahahahahaha :D

beijos, querida.

Désir La Vie disse...

Não ouviria nem amarrada funk e enfiadinha. Odeio de verdade.
Mas já dancei 'boquinha na garrafa' quando tinha meus 16 anos, por exemplo, e unicamente pra ser social.
Achei engraçado falar da erotização/precoce infantil, porque acho que fui um caso anômalo.
Sou a favor da erotização natural, seja com 10, 12, 13, não importa, mas sem as interferências externas, como mídia, por exemplo.
Eu me sexualizei muito nova, talvez em razão de ter perdido meu pai - e meu super ego junto- e de ter tido um espaço-de-nada muito grande.
Engravidei aos 15, mas era uma criança boba que não entendia porra nenhuma, e não tinha a mínima malícia.
Na minha época - e nem faz tanto tempo assim. mas as mudanças são colossais - uma menina com 15 anos-grávida não era bem vista, não existia esse lance de status. Fui altamente desmoralizada e sofri preconceitos horrorosos, inclusive dos próprios professores.

Bem, sobre a professora, concordo com tudo o que você colocou, óbvio. Tudo mesmo, até porque também sou uma prof. Vi o vídeo e juro que a única coisa que me chocou nessa história toda, fora os blábláblá horrorosos e preconceituosos que renderam uma não-vida pra essa moça, foi a atitude do cantor quando ela estava dançando.
Depois parece que ele se incomoda, até...e vai até a moça abraça-la e falar algo.

Désir La Vie disse...

Claro que o funk, o pagode e o axé também são expressões artísticas. Vale pegar o rap paulistano como exemplo, não há nada mais belo. Pura denúncia social. Arte&Denúncia. Perfeito, mas não ouço...E unicamente porque não gosto, mas fico boba em ver as letras. São maravilhosas.
E por mais que música do enfiado 'apele pro sexual', não anula sua condição de expressão artística.
(Também não ouviria nem amarrada)

A posição da Daiane me lembrou muito àqueles que pretendem pintar São Paulo de branco, porque acreditam que o grafite não é arte.

Daiane, meu filho ama Victor e Léo, e até o enfiadinho. Eu odeio, mas vou puni-lo? Sou atéia quase militante, já ele...bem, até o catecismo ele desejou fazer, e fez. Fui até na primeira comunhão do menino, muito embora sinta alergia à padres e igrejas. É a escolha dele, devo respeitá-lo, e sempre.

____

Li o comentário da Iara agorinha e achei-o perfeito. Exatamente isso...Que postura elitista mais sem noção essa a de negar determinadas expressões artísticas. Então só os ouvidos das classes mais altas é que devem ditar o que é arte e o que não é? Os dos 'rasos' são lixos e não-arte? Ai, dá licença, viu.
Tudo isso me lembrou aquele livrinho maravilhoso do Marcos Bagno, 'Preconceito Linguístico'.

Beijos, A.

aline disse...

Oi Vanessa

Vc disse tantas coisas, não sei se dou conta de comentar todas.

Uma das que mais me chamou a atenção foi isso: "Sou a favor da erotização natural, seja com 10, 12, 13, não importa, mas sem as interferências externas, como mídia, por exemplo." Eu não sei o que seria uma erotização natural, livre de influências externas, posto que a cultura, a linguagem, a vida em comunidade estimulam a sexualidade das pessoas. A erotização não é um processo fisiológico, não é meramente uma questão hormonal nem reprodutiva, é bem mais complexo do que isso, é uma questão de linguagem, é psico-social. E a erotização se dá de maneira muito específica em cada um, ela passa por diversas etapas, então é difícil determinar o que é "interno" e o que é "externo" nesse processo. Eu lembrei daquele post da Lu, que dizia que o que nós somos não é uma essência escondida e ocultada pelos valores e fatores culturais, nós somos esses valores e fatores também.

Eu tbm fui em baile funk, gostava de pagode e axé. Era a moda na minha turma, mas eu nunca me senti pressionada a gostar, eu gostava daquilo, gostava de estar com meus amigos e sair com eles. E acho difícil separar as coisas, hoje. Pertencer a um grupo, identificar-se com ele e ouvir as coisas que todos ouviam era uma experiência bacana pra mim. Até hj, eu gosto de alguns pagodes. E nisso o comentário da Emily foi excelente, pq eu tbm estava sendo um tanto arrogante e precritiva qdo dizia o que é e o que não é adequado pra crianças e adolescentes, posto que eu mesma, aos 12, 13, dançava o Tchan. E reconheço tbm q muitas dessas músicas pregam mensagens importantes, libertárias. E, ainda, concordo qdo ela diz que não é preciso gostar desses gêneros por conta da mensagem que transmitem, mas É PRECISO não desqualificar aquilo que mal se conhece.

Beijos, Van.

Désir La Vie disse...

A., ódio da cerveja nessas horas...Tô aqui, toda bonita, toda escrevendo o comentário e do nada resolvo sair da página.

Mas enfim, escrevia que acredito ter me expressado mal. ;)

Claro, sem dúvidas, é praticamente impensável supor uma sexualidade sem interferências externas. Mas me referia à precocidade da coisa; destacando, exclusivamente, a questão mercadológica - Ver: Criança, a alma do negócio. Agora se o negócio(cultura & mídia/mercado) se compõe, se forma de dentro pra fora ou de fora pra dentro, bem, isso não sei, só sei que perco horas pensando nisso...Tem horas que acho que vem de dentro, tem horas que acho que é imposta para o meio, tem horas que minha cabeça se perde...Só sei que não acho nada bacana a erotização infantil.
Até falo isso por experiência própria. Minha primeira experiência sexual se deu aos 14 anos, mas analisando à distância, inclusive, se fosse pra escolher, esperaria, ao menos, mais uns 3,4 anos - Que fariam MUUUITA diferença.

____

Claro, minha bisavó casou-se aos 15; tiveram meninas(os) que casaram-se aos 12,13. Mas na época dela era mais do que comum.
Não podemos desprezar a cultura, como você bem disse. Naquela época não havia a dita 'adolescência', e mesmo que historicamente construída, atualmente não funciona a mesma dinâmica do que há 40 anos. Antes, as meninas(os) eram automaticamente inseridas(os) do mundo infantil para o adulto, hoje não mais.

A., sorry, mas a cerveja me atrapalha demais para relacionar qualquer tipo de idéia.
Sorry por qualquer erro ortográfico.

Beijos!

aline disse...

Eu tbm me pego pensando muito nisso, e com frequencia eu chego a becos e tal. Mas por mim tudo bem, eu me preocupo muito em não ser prescritiva, em não sair proferindo certezas - e faço muito mais questão disso, de perceber a complexidade dos assuntos do que encontrar uma suposta solução pra eles.

Então, sua avó casou-se aos 15 mas na época era comum. Hoje é comum ser mãe aos 15, mas as cirncunstâncias em que isso acontece, nós sabemos, não são tranquilas. Eu sou contra uma moça de 15 anos ser esposa de alguém, assim como sou contra que ela seja mãe. Porque a considero muito jovem e muito imatura, respectivamente. Acho importante que as meninas tenham tempo pra crescer, conhecer várias pessoas e explorar possibilidades. Um casamento, assim como uma gravidez, colocam a adolescente em uma rota com pouca mobilidade. Mas, pra ser franca, não tenho nada contra iniciar a sexualidade cedo. Tive amigas que transaram a primeira vez aos 14, 15 anos, tive amigas que transaram aos 18, 19. Pra algumas delas foi ótimo, assim como outras não gostaram da transa, ou do cara depois que transaram. O descontentamento geralmente tinha menos a ver com a idade delas do que com algo a ver com expectativas quanto à natureza do relacionamento com o cara, entende? Essa decisão de começar a transar tem a ver com maturidade, e por isso que acho importante que sexo não seja um tabu, uma coisa feia e secreta. Acho urgente que se desfaça essa relação imediata entre começo da vida sexual e gravidez na adolescência. As soluções para as gravidezes precoces passam por educação sexual, métodos contraceptivos, direitos reprodutivos - e não pelo adiamento da vida sexual, pela estipulação de uma idade mínima ou algo assim.

Eu assisti o 'Criança, a alma do negócio' e gostei bastante. Mas eu questiono até que ponto a televisão e a cultura são sexualizantes, ou pelo menos até que ponto o estímulo é unicamente esse. Porque ao mesmo tempo em que há uma projeção de mulher vaidosa, bonita, atraente e que as meninas acabam tomando pra si, há uma coisa de a mulher ser romântica, ser passiva, ser a princesa. A Barbie não é uma Sex Symbol, uma Femme Fatale, ela é uma Top Model. Ela existe muito mais numa lógica consumista, numa passarela, do que num contexto sexualizado, erótico, etc. É diferente. Não existe estímulo, na nossa cultura, pra liberdade sexual, pra que as mulheres sejam tão livres quanto os homens são quanto ao comportamente sexual, percebe? Então essa sexualização que a propaganda faz é relativa, é um tanto "dessexualizada" tbm.

Um exemplo: meus pais sempre falaram de sexo abertamente comigo. Nunca desconversaram, nunca deixaram de responder uma pergunta, nunca proibiram nada, normatizaram. Sexo nunca foi um tabu, em casa, pelo contrário. E no entanto eu brinquei de boneca até os 12, 13 anos, e perdi a virgindade aos 17, mas poderia ter sido antes (vontade não faltou, mas o namorado era muito religioso e blá). Então saber sobre sexo, conversar sobre sexo não necessariamente antecipou minha sexualidade. E, veja só, eu engravidei aos 17. Só pra vc ver como não existe possibilidade pra muito determinismo nesse assunto.

Quanto à ortografia, por favor, não se preocupe. Aqui o ambiente é relax, é aconchegante. Se aparecer algum cão de guarda da sagrada língua portuguesa, a gente bota ele pra correr. À base da gargalhada ;)

Beijos, querida.

Fernanda Mendes disse...

Bom,em hipótese alguma eu quis negar alguma expressão artística...
Na verdade o que eu quis destacar são os aspectos culturais que estão incutidos nas músicas , na literatura, cinema etc,independentemente do gênero e do meu gosto musical.Ainda que considere a música objetifica as mulheres,tenho que ter em mente que ela faz parte de uma determinada construção social e que não é um organismo isolado.

Além do mais, tem aquela coisa, né : as pessoas detonam o axé,pagode,funk pq é mais fácil e conveniente para posarem de "cool", moderninhos e intelectuais, quando na verdade reproduzem tudo aquilo que supostamente criticam.No rock, por exemplo,existe muita merda e possui um monte de letras ofensivas às mulheres e vc vê que a diferença entre a forma como este é encarado em relação ao funk, axe...Isso esconde muitos tipos de preconceitos: o regional, o de classes...
No mais, gostei muito da lembrança que Emyle fez em seu último parágrafo : "Por fim registro q Fantasmão, Parangolé (bandas de Pagode daqui), Ilê Ayê, Carlinhos Brown, Araketu, Gerônimo e vários outros cantores e compositores desses 20 e poucos anos de Axé tem em sua obra manifestações de resistência ao racismo, à intolerância religiosa, ao machismo, à homofobia etc. Não precisa gostar por isso, mas precisa saber q não é só rebolação, assim como no funk não é.". Não suporto as generalizações que fazem, por exemplo, com a expressão "música baiana", que geralmente é associada a um tom pejorativo.

abs

Fernanda Mendes disse...

Em relação a questão da sexualidade, me lembrei de uma discussão que ouvi num churrasco.
Algumas pessoas estavam discutindo sobre o tema e chegaram à conclusão de que a camisinha foi a grande responsável por essa sexualização precoce.Na época,eu fiquei bem chocada ( com o simplismo da afirmação) e perguntei para uma amiga : Fulana, a camisinha é a responsável por isto? Não é a sociedade que estimula muito essa sexualização precoce?

Aff....

aline disse...

Ah sim, a Emily foi fantástica. Eu aidna não entendi porque exatamente vc considera essa música ofensiva e objetificante. De todo jeito, eu discordo disso, eu não acho que seja objetificanete, assim como não acho que aquela professora era um mero objeto.

Sobre a camisinha estimular a sexualidade, olha, é tão absurdo dizer isso. Porque é ela justamente que permite que o sexo seja seguro, livre de doenças venéreas e de gravidez indesejada. Quem diz q a camisinha "antecipa" a sexualidade pensa nela como um fardo, como uma coisa obrigatória e protocolar que as mulheres deixam os homens fazerem em troca de uma relacionamento. Gente assim me dá arrepios.

Emily Laurentino disse...

Ai, Aline, só agora vi q vc pôs o comentário no post e o q as pessoas disseram aqui. Obrigada demais por esse modo de compreender. Gosto bastante q a caixa de comentários tenha essa sustança pra alimentar o post e a discussão.

Essa idéia de sexualidade precoce, dos males da sexualidade precoce, me deixa meio tonta. A gente costuma falar disso do alto, de outro patamar. A maior parte das pessoas não tem nem coragem de revirar sua infância e adolescência nesse sentido. Todo mundo sabe que existe troca-troca,né? Mas é bem difícil, pelo menos por onde eu ando, saber quem já fez. É escandaloso ter feito. Então não rola uma auto-análise assumida em relação a isso q envolva esses termos sociológicos, científicos, acadêmicos e tal. É o tipo de coisa q só acontece com alguém q é um depravado desde pequenininho, o q não é o caso dos seres normais. Sobre a primeira vez rola mais a análise, pq a gente considera um acontecimento grande, mas acho q vida sexual é maior e anterior à primeira penetração.

O que eu fico pensando é q existe erotização infantil e pode ser danoso, acontece q tem um certo erotismo na infância tb, um mostra-o-seu-que-eu-mostro-o-meu, que eu não sei mais definir como e pq se dá nem nunca estudei sobre, mas desconfio q seja essencial. Na vontade de identificar a erotização a gente acaba atirando no erotismo. Ou então acha q as duas coisas são absurdas e cabô. Muitas nuances aí.

Ah, e a coisa de ser objetificante,hein? Hehehe, lingerieday sempre na janela acenando. Acho que não é, passo a questão.

Salvador é bem dado, adora quem tem saudade daqui ;] beijo.

aline disse...

Emily, eu que agradeço. Muito sinceramente. Ser autora do post não me dota de mais lucidez que ninguém, e eu fico feliz de encontrar nos comentários pessoas com quem eu tenho uma interlocução gostosa, tranquila, como eu acho que é o caso aqui. Adoro mesmo. E perceber que eu cometi um erro, que eu deslizei e poder retratar isso, é o tipo da coisa que me deixa feliz, que faz valer a pena.

O que vc disse sobre erotização é ótimo, e eu gostei tanto de pensar sobre o assunto que fiz outro post. Pra tentar falar sobre as nuances. Qq vc acha?

Ah, a objetificação. Palavrinha da moda, tão venenosa, mas com a qual eu to tendo que lidar, hora vai hora vem. :D

Beijos, Emily!

josue mendonca disse...

1. Quando cheguei para morar aqui na Bahia, há 9 anos atrás, eu me surpreendia como o modo como as pessoas (homens,mulheres e crianças) dançavam aqui. Acredito que por dois motivos: a) cresci no interior de Pernambuco, onde o forró era e é prevalecente. b) passei toda minha adolescência num ambiente cristão protestante. Quando via as pessoas dançando, automaticamente eu julgava como vulgar, feio, baixo-astral, ridículo, uma aberração. Ainda hoje, minha visão não mudou muita coisa. Quando vejo uma menina dançando músicas com “rala a tcheca no asfalto “ e fazendo certos gestos, eu considero rapidamente como algo extremamente ridículo. Acho que a diferença é que há 9 anos atrás eu não só considerava feio como só conseguia ver por esse ângulo. Hoje, eu me permito ver a dança pelo ponto de vista do baiano que cresceu nesse ambiente cultural e que aprendeu a expressar a dança daquela forma. Se uma criança, feito minha sobrinha de 7 anos, está na sala dançando “rala a tcheca no chão” porque os amigos na escola dançam, os artistas dançam na TV, as amiguinhas da rua dançam e ensinam, o “feio” só existe na minha cabeça. E se eu chegar e disser: “pare de dançar assim que é feio”, ela não vai entender aonde existe nem o que é esse “feio”. Esse tipo de dança só pode ser feio então se comparado com o modelo de dança que eu acho correto, decente e superior. Eu não sei então que direito eu teria para impor o modelo que considero correto sobre as expressões musicais e corporais de uma dada cultura.
2. Embora eu me permita ver a dança baiana do ponto de vista do baiano, eu acho que existe uma linha muito fina entre a dança erótica, sensual e o que os próprios baianos rotulam aqui de “putaria”. Carla Perez dançando de short curto na boquinha da garrafa é visto como sensual ou erótico. Blz. A professora dançando em cima de um palco como a saia levantada, uma calcinha toda enfiada e o vocalista puxando a calcinha para que ela entre mais, o baiano diz que “rolou a putaria”. Mas mesmo essa “putaria” não é vista como algo negativo pelo baiano em geral. A “putaria” nada mais é que um pequeno “exagero gostoso do erótico”. A “putaria” como algo negativo existe pra mim, porque enxergo como algo inadequado. Acho inadequado porque, para mim, ultrapassa aquela linha entre a dança erótica e a dança de conotação sexual. Não considero adequado, por exemplo, uma criança dançando uma música com gestos e conotações sexuais, ainda que eu procure entender essa expressão da criança a partir de sua formação cultural.
3. Quanto à professora, acho que ela foi punida injustamente. Alias, sempre achei estranho essa ligação que fazem entre a vida particular e a profissional. Pergunto-me até que ponto nosso comportamento social deve satisfações ao nosso papel profissional.

abraço querida

aline disse...

Josué, eu adorei essa frase sua: "Esse tipo de dança só pode ser feio então se comparado com o modelo de dança que eu acho correto, decente e superior. Eu não sei então que direito eu teria para impor o modelo que considero correto sobre as expressões musicais e corporais de uma dada cultura." Foi exatamente isso que eu quis dizer, que o olhar sobre certos gêneros de música traz essa noção de superioridade implicada. Pior, há quem conclua que as pessoas que gostam de um tipo de música e dança "feio" e "errado" são degeneradas, são burras, são moralmente reprováveis. Isso é preconceito puro, violento.

Tbm gostei do que vc explicou sobre "putaria" na concepção baiana. E é muito lúcido de sua parte perceber e formular a reprovação sobre a putaria como uma questão sua. As pessoas não são obrigadas a gostar de tudo que é gênero e estilo de dança, eu acho que o principal é não fazer disso uma verdade e não sair por aí apontando dedos e estigmatizando os outros, sobretudo num caso em que alguém foi prejudicado. Nós dois concordamos que a professora foi tratada de um modo injusto e, agora sim, degradante e vergonhoso.
Pra mim isso mostra o quanto a cultura do "não existe pecado ao sul do equador" é relativa. A gente sabe ser beeeem moralista e perverso.

Beijo, querido!

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