7.10.09

do que vem depois

tida                                            Eu sempre achei foda o olhar dela

.:São quatro anos, hoje. E festejante eu telefonei para a avó a fim de comunicar-lhe: são quatro anos hoje, vó. Ouvi aquela risada curta e displicente dela do outro lado, e o silêncio. Não ouve tão bem já, desmaiou outro dia mesmo, é a pressão. Por isso, achei que não entendeu o que eu dissera. Repeti: são quatro anos, vó. Eu e ele. Então ela, mansa: eu sei, fia. To fazendo as contas. Eu e seu avô temos 52 anos, juntos. Você tem 48 anos até saber o que eu sei agora.

.:Contar as coisas pra minha avó sempre dá nisso: vontade grande ver o que virá depois.


"O Dito dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma."
                                                                                                      .:Guimarães Rosa

13 pessoas pararam por aqui:

Sil disse...

Que fofa, Aline... sua avó! Saudade dela.
Quanto aos 4 anos... Que vocês vivam juntos mais esses 48 juntos, no mínimo... E que seja sempre muito bom o que virá depois!
Beijos, querida!

aline disse...

ai, nem fale. ela é demais. me derreto.

e obrigada, sil. mesmo :********

Luisa disse...

Linda. É vó...

lu disse...

fofa demais.
outro dia eu conversei com a bisa de uma família amiga da família do maridão; ela me contava que são já 62 anos de casada. Sessenta e dois! Com o meu velho, ela disse, doce, olhando pra ele que conversava no sofá da sala ao lado - e logo corrigiu: meu velho, não; meu broto. É que no sul a gente chama de meu velho, o companheiro, não importa a idade, sabe?, é carinhoso. e agora calhou que meu velho está velho.
me deu a maior curiosidade do futuro também, e uma impressão forte de que passa muito rápido. vivo falando pro maridão que ele tem que cuidar da saúde...
parabéns pelo niver de namoro - que agora sim tá valendo como níver mesmo :P hahahaha
:****

Iara disse...

Ai, Aline, nem me fale...

Já postei aqui uma vez, acho que eu não tenha mais minhas avós (nem os avôs, na verdade). Uma morreu antes de eu nascer, a outra há uns 7 anos. E morava na minha casa, eu ajudava a cuidar dela, era super próxima. Daí não me conforme dela não ter vivido o suficiente pra conhecer meu marido.

Mas ele tem as duas avós. E uma delas, virou meu super xodó. De cara. A primeira vez que eu vi, já disparei: "a senhora agora é minha avó". Assim, impondo a adoção de imediato mesmo, sem ela nem ter tempo pra me aprovar. E ela, generosa, me adotou de cara.

E aí de vez em quando olho pro marido e pergunto: "a gente vai ficar velhinho juntos?". E ele responde: "Vamos sim, minha linda. Que nem o vô e a vó".

Parabéns a vocês pelos 4 anos! Como a Sil, desejo muitos mais...

Haline disse...

Aline, que fofa sua avó! Eu tenho um misto de medo e ansiedade com o que virá depois. Acho que é pq nunca sonhei exatamente em viver com alguem pra sempre e dai quando a gente encontra, fica meio boba. rs Tem um trecho de um livro (eu acho) que li no inicio do ano que achei tao legal, mas tao legal. A menina escreveu pra mae, mas eu acho que cabe tanto pra casais. Olha só: "Se tiver de mudar o mundo, iremos juntas. Não importa aonde for, faremos outro pacto e, se mais tarde for preciso, outro, e depois outro e outro. Faremos quantos pactos forem necessários, mudaremos de mundo quantas vezes nos exigirem, mas uma coisa é certa: minhas mãos estarão sempre coladas às suas." Tatiana Salem Levy bjobjo e muitos anos pela frente!

Thamires disse...

então eu sou alegre! \o/
todo mundo diz que não me importo demais com coisa nenhuma...;)
mas falando sério, muito bonito mesmo isso de viver junto. É preciso mesmo muito amor e renúncia para viver tanto tempo com alguém. Meus pais adotivos fazem 50 anos juntos o ano que vem, e eu aprendo tanto com eles. Sobre cumplicidade mesmo. Não há niguém que os conheça melhor do que eles conhecem um ao outro. Ele sabe sempre do que ela gosta, e sabe a primeira coisa que ela pede ao acordar. Ela sabe o que ele quer comer, e sabe por ende ele deseja passear. Eles sabem praticamente tudo um do outro. E o melhor: esse tempo todo não fez com que o relacionamento esfriasse ou caísse no 'piloto automático'. Eles ainda são espontâneos um com o outro, e ainda são pegos em flagrante ao beijar-se pela casa. Acho a coisa mais linda do mundo isso. E gostaria mesmo de ter um dia um relacionamento assim.
As pessoas falam muito que não existe mais amor assim. No entanto não existe mesmo é a coragem pra abdicar de alguns aspectos da própria individualidade em prol do outro. Há mesmo um medo da intimidade, medo de deixar-se conhecer pelo outro, medo de aprofundar-se. Os relacionamentos terminam fadados à superficialidade.
Parece que esse não é o seu caso.
;**

Désir La Vie disse...

Que fofa. Que delicinha que são as vovós...

O mais fantástico é que tudo o que sai da boca delas acaba saindo gostoso. Soa diferente. A entonação, o sentido - e ainda que esse não haja!

Parabéns pro casal.
Muita amizade, lealdade, vinho e sexo do bom.

Beijos!

Julia disse...

Que amor. Não tive avó (uma está viva, a outra morreu recentemente, mas não tive contato), então não sei bem como é, mas lindo.

E também namoro há quatro anos! hahaha Bem, um pouquinho mais, mas ainda quatro. No aguardo dos próximos 100.

Anonymous disse...

além do olhar, é o rosto mesmo né? tá tudo, as marcas, das linhas do tempo, de toda uma vida. Lindo ela conservar assim. Além do rosto, as mãos dizem muito.
Não tenho mais avós, os paternos estão enterrados no Brasil, e os da minha mãe do outro lado do mundo. É a vida.
Guimarães é phoda né? adorei a frase, linda!
parabéns,e que venham os 48.
beijos
madoka

Josué Mendonça disse...

parabéns querida
siga em frente

Esdrúxula disse...

aline, que bom que vc colocou os arquivos!
saudade do blog, e de vc por tabela(hihihihi).

Todo dia, eu condicionada, clicava no link do seu blog. Quando chegava aqui, só tinha o post "subiu no telhado". Eu não sabia se ria de mim, ou se chorava.heh.

désir la vie disse...

Putz, A.

Sinto demais pelo fim do blog. Aliás, já tem muito tempo que estou pra lhe falar isso.

Era quase obrigatória a minha parada por aqui, a única 'sensação de obrigação' advinda do desejo. E o prazer no pós era certeiro!!

Entendo a sua posição. Acredito que diversas coisas acabaram contribuindo para que o Jusqu'ici parasse onde parou. Mas espero de todo coração que você retorne, pois sua voz é extremamente importante para muitas de nós. É uma voz varonil. E hoje, uma voz a menos no nosso meio...
Hoje o coro está mais dissonante... E sinto demais por isso!

Beijos com muito carinho!
Van

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